O árbitro espanhol Jesús Tomillero assumiu a sua homossexualidade abertamente em março do ano passado. Entretanto, decidiu deixar o futebol por causa da discriminação de que foi alvo. Após regressar aos relvados, a situação piorou.

Depois de ter assumido a sua homossexualidade, o árbitro assegura ter sido apoiado pelos partidos políticos locais de La Línea, perto de Gibraltar, e por alguns seus colegas árbitros da primeira divisão. Mas acusa as autoridades da Federação de Andaluzia de terem ignorado os abusos de que foi vítima.

O árbitro espanhol tomou a decisão de abandonar o futebol após marcar um penálti durante um jogo da Liga Regional da Andaluzia entre o Portuense e o San Fernando Isleño. Logo após marcar a grande penalidade, Tomillero foi vaiado e alguém entre gritou: “Isto é o maricas que estava na televisão. Mete o apito no c*”. Segundo o árbitro, o pior foi quando toda a plateia começou a rir. Este é só um exemplo. Foram vários os momentos da sua carreira em que se sentiu discriminado.

Na sequência de insultos depois do primeiro jogo que apitou após assumir a homossexualidade, o árbitro apresentou uma queixa formal — na esperança de uma ação mais rígida por parte da Federação –, contra um adepto do clube Peña Madridista Linense, no campeonato sub-19, em Andaluzia. O adepto ficou proibido de assistir a nove jogos e ao pagamento de uma coima de 30 euros. Contudo, Tomillero não ficou satisfeito com a penalização.

A situação voltou a repetir-se, este sábado, quando Jesús Tomillero foi arbitrar um jogo entre o CD Lasalle e o Atlético Zabal e um adepto disse-lhe para “sair por ser gay”, depois da marcação de uma penalidade.

O jogo foi interrompido e o homem foi escoltado, mas ainda conseguiu gritar “és uma bicha” para Tomillero. Após o jogo, o segundo desde que regressou ao futebol, a situação agravou-se e o árbitro começou a receber ameaças de morte nas redes sociais. “Seu filho da p***. Mexeste com o nosso clube. Vamos matar-te com SIDA” dizia um. “Não tens muito tempo para viver, maricas”, ameaçava outra mensagem com a fotografia de uma arma e balas.

Tomillero mostrou-se chocado com tais ameaças:

Eu tive um ataque de nervos e não sabia o que fazer. Fui logo à polícia. Eles estão a investigar o caso, em toda a Espanha. Há polícias à porta da minha casa 24 horas por dia, mas eu ainda tenho medo e não sei o que pode acontecer”, explica.

Passado algum tempo, Jesús Tomillero reverteu a sua decisão de deixar a arbitragem apesar de sentir muito medo. Desta vez, o árbitro assegura lutar contra a discriminação. “Vou continuar a fazer aquilo que gosto, custe o que custar“.

Espanha tem-se mostrado um país tolerante no que respeita à homossexualidade, tornando-se o terceiro país europeu a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2005.

Há três anos, uma pesquisa revelava que a Espanha é o país mais tolerante da Europa, no que respeita à orientação sexual, com 88% dos entrevistados a dizer que se deve aceitar diferentes orientações. No entanto, de acordo com outras estatísticas recolhidas em Madrid, existe um ataque homofóbico a cada dois dias.