Inteligência

Inteligência artificial: do imaginário para o quotidiano das startups

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Foi protagonista de obras-primas de Isaac Asimov. Steven Spielberg retratou-a num filme comovente. Stanley Kubrick mostrou o seu lado negro. Hoje, a inteligência artificial já é uma realidade.

Wikimedia Commons

Lançado em 2001, o filme A.I. – Inteligência Artificial, realizado por Steven Spielberg, mostra um androide em forma de criança, programado para amar os seus pais eternamente. Este robô com sentimentos rompeu, na altura, com uma tradição de filmes nos quais as máquinas inteligentes eram uma ameaça para a humanidade.

É comum associar a inteligência artificial à ficção científica, até porque foi ela que alimentou nos últimos séculos a inspiração de escritores e outros artistas. No entanto, ganhou este nome a partir da segunda metade do século XX, quando os cientistas começaram a estudar formas de as máquinas realizarem tarefas humanas complexas, como raciocinar ou reconhecer padrões; em suma, imitar a inteligência humana.

O teste de Turing, que Alan Turing desenvolveu para perceber se um computador poderia apresentar um comportamento inteligente, como jogar uma partida de xadrez, foi um dos principais contributos para o desenvolvimento da inteligência artificial. A máquina de Turing era já, em 1936, um modelo abstrato de um computador.

Hoje, ainda não há robôs de companhia ou a servir o jantar, mas a inteligência artificial está presente no nosso quotidiano, mesmo que possa passar despercebida. Num simples jogo de computador, são aplicadas técnicas inteligentes para construir os níveis ou ultrapassar desafios. Os corretores ortográficos do Microsoft Word detetam de forma inteligente problemas de sintaxe ou ortografia. Os resultados da pesquisa no Google, o reconhecimento de voz ou o assistente virtual inteligente do Windows 10 – o Microsoft Cortana – colocam-nos de mão dada com a inteligência artificial.

Empreendedorismo português a leme da inteligência artificial

Em Portugal, a inteligência artificial é a coqueluche de startups, que apostaram nesta área da ciência da computação para se afirmarem no mercado nacional e além-fronteiras. Uma delas é a Defined Crowd, que já conquistou empresas que fazem parte da célebre lista da revista “Fortune”.

Esta startup portuguesa começou a sua aventura na Microsoft Ventures Accelerator, em Seattle. Só nesse programa de aceleração, os seus fundadores, que abandonaram os respetivos empregos rumo aos Estados Unidos da América, conseguiram angariar 200 mil dólares de investimento em fase pré-semente. Qual é o seu segredo? Inteligência artificial, claro.

A Defined Crowd constrói plataformas de recolha de informação para machine learning e inteligência artificial, permitindo acelerar os processos de teste e modelação das empresas. Em linguagem mais simples, estas plataformas depuram os dados de linguagem natural, área de especialização da equipa, e processam esses dados para serem usados de forma eficiente em aplicações com inteligência artificial.

Hoje, além da sede em Seattle, a Defined Crowd tem uma delegação na Startup Lisboa, onde está a equipa de investigação e desenvolvimento. Com clientes nos cinco continentes e uma solução que congrega mais de 30 línguas e 100 dialetos, conseguiu outra proeza recentemente: angariar cerca de um milhão de euros provenientes dos grupos Sony e Amazon, da Portugal Ventures e business angels. Este financiamento permitirá reforçar a equipa e desenvolver outras funcionalidades inovadoras de inteligência artificial.

Conhecer melhor os consumidores e entender as suas necessidades e expetativas é um desafio ao qual a inteligência artificial já dá uma ajuda. A Smarkio, que se apresenta como uma startup portuguesa com pedigree global, é disso exemplo. Integrada no grupo Impacting, composto pela Adclick, Beeleads e Emailbidding, a Smarkio oferece soluções tecnológicas para o setor de marketing digital, que permitem aos clientes conhecer e entender melhor os seus potenciais e existentes consumidores, tratando-os de forma personalizada.

Sediada no UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto e com uma operação repartida entre a cidade invicta e o Brasil, a Smarkio conta com uma equipa de 30 colaboradores que trabalham na automação planeada e inteligente, aumentando a produtividade dos canais de venda e gerando um maior retorno do investimento em marketing online e offline.

Ficção científica à parte, o impacto da inteligência artificial na sociedade é já digno de um Óscar.

Conteúdo produzido pelo Observador Lab. Para saber mais, clique aqui.
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