A Forbes chama-lhe o homem mais interessante do mundo ou, pelo menos, assim pensa um dos seus colaboradores. O norte-americano James Altucher já fundou 20 empresas diferentes, e já vendeu algumas por 10 milhões de dólares, já teve uma conta bancária verdadeiramente recheada e já foi à falência — o canal CNBC garante que o empresário, que renasceu tantas vezes da cinzas, consegue causar inveja a uma fénix. No currículo de Altucher sobra pouco que fazer, ele que é conhecido por ter dez ideias por dia, além de levar o cognome de “a Oprah da internet” devido aos seus conselhos a roçar a autoajuda.

Feita a breve introdução, o nome deste guru está outra vez na ordem do dia por atualmente viver apenas com 15 objetos — um portátil, um iPad, três pares de calças, três t-shirts, dois calções, dois pares de meias, dois sapatos e uma bolsa recheada de 4 mil dólares em notas de 2 dólares. Nada de pessoal e/ou sentimental. Apenas o necessário para o dia-a-dia.

Faz poucos meses, escreve o New York Times, o homem de 48 anos — ainda que tenha um ar tanto ou quanto jovial — deixou o apartamento em Nova Iorque e livrou-se ou doou mais de 40 sacos de lixo cheios de lençóis, loiça, roupa e livros, sem esquecer o diploma de final de curso e até fotografias de infância. Desde então, James tem vivido no sofá de amigos que lhe abrem a porta de casa de bom grado ou em apartamentos registados na empresa Airbnb.

Esta é apenas uma opção de vida, até porque muitos dos seus 16 livros continuam a ter saída no mercado. O mesmo acontece com os podcasts para os quais empresta a voz, uma vez que todos os meses são registados cerca de dois milhões de downloads. Diz o jornal norte-americano já citado que Altucher apenas está a fazer o que o próprio apregoa — o ex-empreendedor que tantas vezes conheceu o insucesso (relatado num blogue pessoal) tem vindo a transformar-se numa espécie de guru que vira as costas ao suposto sonho americano, que inclui diploma universitário, carreira profissional e “um apartamento com três quartos”.

A iniciativa, esclarece a Forbes, foi inspirada numa entrevista que James fez a uma mulher de nome Marie Cano, autora de um livro sobre o processo nem sempre fácil de simplificar a vida. Meses depois era a vez de o norte-americano escrever uma obra sobre a mesma temática, pelo que seria uma questão de tempo até passar da teoria para a prática.

James Altucher não está sozinho no barco: recentemente, o Observador entrevistou Bea Johnson, a mulher por detrás do movimento Zero Waste Lifestyle (Desperdício Zero), assente no minimalismo e na simplicidade de rotinas. Na entrevista, Bea explicou como faz a sua própria maquilhagem, limpa a casa com vinagre e como recusa produtos empacotados ou comida processada. Nem de propósito, comentou que uma vida de desperdício era, em última análise, uma perda de tempo.