Rachid Kassim nasceu em Roanne, no centro de França, filho de pais argelinos. Foi monitor num centro social para crianças e cantava rap — até gravou um disco, em 2009. Em 2011, quando regressou de uma viagem à Argélia, deixou de fumar, de sair e de fazer a barba. Começou a tentar recrutar jovens para a jihad numa mesquita que frequentava, até o imã o ter repreendido. Pediu perdão, mas apenas “fingiu que se arrependeu”, afirma um membro da comunidade, citado pelo El Español. Em 2012 deixou o país em direção ao Egito, até que se perdeu o rasto ao homem. Atualmente, é o principal elo de ligação no terrorismo em França.

O ataque em Nice, a morte de dois polícias em Magnanville, a degolação do padre Jacques Hamel em Saint Étienne du Rouvray e até o carro com botijas de gás encontrado junto a Notre Dame. Todos estes ataques terroristas em França (e a tentativa) tiveram a mão deste francês de 29 anos, que orienta os terroristas que atuam em França, a partir de um esconderijo na Síria ou no Iraque. Esta semana, um jovem de 15 anos foi detido por suspeita de estar a planear um ataque em França. Também ele estava em contacto com Kassim.

A rede de Rachid Kassim

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O terrorista, radicado na Síria ou no Iraque, foi responsável pelas ordens para três ataques terroristas em França:

Além destes três ataques, Rachid é suspeito de ter elaborado uma lista de alvos a abater em França, e tem sido relacionado com o ataque em Nice, que felicitou publicamente num vídeo do Estado Islâmico.

Inès Madani, de 19 anos, Sarah Hervouet, de 23, e Amel Sakaou, de 39, foram detidas por terem deixado um carro com cinco botijas de gás cheias junto à catedral de Notre Dame, em Paris. As autoridades francesas divulgaram oficialmente que as três mulheres recebiam ordens a partir de um terrorista na Síria ou no Iraque. Tratava-se de Rachid Kassim, como vieram outras fontes depois confirmar aos meios de comunicação franceses. “Todas as mulheres detidas estavam mais ou menos em contacto com este jihadista, via internet ou por mensagens encriptadas no Telegram”, confirmou uma fonte a um jornal francês. Foi a rapariga mais nova, Inès Madani, que orquestrou o ataque em conjunto com Kassim. Pegou no carro do pai, encheu-o com botijas de gás e levou-o até uma zona central da cidade. Tudo combinado com o terrorista. O objetivo era pegar-lhe fogo.

Foi também Rachid Kassim que pôs em contacto os dois jovens que degolaram o padre Jacques Hamel, em julho deste ano, numa igreja em Saint Étienne du Rouvray, na Normandia. “Este homem aparece como quem dá as ordens, o planificador“, sublinhava um alto funcionário das autoridades francesas, que identificou a relação de Kassim com os terroristas da Normandia. Foi este terrorista o responsável pela “influência virtual que levou à ação”, esclarecem os meios de comunicação franceses. Também no ataque a dois polícias em Magnanville houve a mão de Kassim. O assassino que matou os polícias fazia parte do grupo do terrorista no Telegram, e terá citado Rachid num dos vídeos que fez na rede social.

Além de ter planeado estes três ataques, a possibilidade de ter estado envolvido na preparação dos ataques em Nice também é avançada por vários meios franceses. É que, apesar de não ter havido uma ligação direta ao responsável pelo atropelamento em massa, foi ele que apareceu num vídeo, uma semana depois, a aplaudir o ataque em nome do Estado Islâmico.

Um esquema divulgado pela AFP mostra as várias ligações de Rachid Kassim aos vários ataques terroristas em França: