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Pedro Passos Coelho não quer comentar a polémica dos últimos dias sobre a retirada de privilégios em Bruxelas ao ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso por se tratar de um “folhetim”. “Não é dignificante para a União Europeia a forma como esta matéria tem vindo a ser tratada e não tenciono insistir neste folhetim, que é isso mesmo, um folhetim”, disse o presidente do PSD aos jornalistas no final de uma reunião de preparação para a cimeira de Bratislava em São Bento.

Depois de, esta terça-feira, o eurodeputado Paulo Rangel ter sugerido que o caso criado em torno da contratação do ex-presidente da Comissão Europeia pelo banco Goldman Sachs prejudica a candidatura de António Guterres à ONU, Passos limitou-se a dizer que a discussão estava a “ir longe demais” e garantiu que o assunto não foi tema da reunião desta manhã com o primeiro-ministro António Costa.

Nem isso nem o Orçamento do Estado para 2017, sobre o qual o líder do PSD continua a dizer que só vai pronunciar-se quando houver documento do Governo em cima da mesa. Já sobre as declarações desta manhã de António Costa em relação ao tema mais não-tema dos últimos dias (a hipótese de haver um segundo resgate em Portugal), Passos Coelho defendeu que não interessa a ninguém colocar hipótese de segundo resgate e negou estar por dentro das indiretas deixadas pelo primeiro-ministro. “Não vejo sequer que interesse a alguém na política portuguesa, muito menos a quem já desempenhou lugares de responsabilidade como eu, que essas hipóteses sequer possam ser consideradas”, disse.

Esta manhã, dizendo que não tinha o menor cabimento falar-se de segundo resgate, Costa sugeriu que quem espera o “diabo” deve dedicar-se antes à caça de “pokémons”, numa alfinetada ao líder do PSD. “Não conhecia essas declarações mas nem vale a pena pronunciar-me, elas falam por si”, disse Passos.

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O tema surgiu esta segunda-feira quando o ministro das Finanças, Mário Centeno, em resposta à pergunta de uma jornalista da televisão norte-americana CNBC, disse que tentaria tudo para evitar um segundo resgate. Passos Coelho falaria do assunto, indiretamente, no discurso de encerramento das jornadas parlamentares, em Coimbra, onde sugeriu que só haverá novo resgate financeiro a Portugal se o Governo quiser — como “consequência de um ato deliberado”. Nem Passos nem Centeno, contudo, usaram a expressão “resgate”.

Falando no final da audiência sobre a cimeira de Bratislava que decorre na próxima sexta-feira, Passos Coelho defendeu que o processo de saída do Reino Unido da UE deve ser “amigável” e não “conflituoso” e que o papel de Portugal nesse processo, enquanto o mais velho aliado do Reino Unido, deve ser “construtivo”. “É importante que Portugal possa, à sua escala, desempenhar um papel construtivo que permita que o Reino Unido fique tão próximo quanto possível não só do nosso mercado mas também dos nossos valores em matéria de política externa, defesa e segurança internacional”, disse.

“É importante que do lado do Governo português aparece uma voz em Bratislava que represente esta visão de quem tem interesse em manter o Reino Unido tão próximo quanto possível da União”, reiterou.