Dezassete militares desistiram esta quinta-feira do curso de Comandos, que esteve suspenso durante uma semana devido à morte de dois alunos, avança o Diário de Notícias citando uma fonte oficial. Além de 12 praças, saíram do curso quatro sargentos e um oficial “a pedido dos próprios”.

Ao Público, o porta-voz do Exército, o tenente-coronel Vicente Pereira, disse que estabelecer uma ligação entre as mortes e as saídas é “pura especulação”. “No final de cada curso de Comandos há, em média, 45% de eliminações e desistências por isso estas desistências são vistas com normalidade”, afirmou. “O padrão de desistências nesta fase inicial da formação está dentro do padrão dos cursos anteriores e é expectável que surjam mais até ao seu final e que alguns militares sejam eliminados por falta de condições para continuarem o curso.”

O 127º curso de Comandos começou no início de setembro mas foi suspenso pelo Chefe do Estado-Maior do Exército passado pouco tempo para uma “execução de uma avaliação clínica aos formandos”, depois de dois instruendos terem morrido devido ao exercício físico praticado sob elevadas temperaturas e de nove militares terem sido internados. Sete outros militares foram internados na sequência dos treinos.

Um militar teve alta esta quinta-feira. Ainda permanece um internado

Segundo a TSF, o Exército informou que um dos dois militares que ainda permaneciam hospitalizados no Hospital das Forças Armadas teve alta esta quinta-feira. O outro continua internado no mesmo hospital, mas mantém “um quadro de melhoria analítica”, assegura a mesma fonte.

Para além do curso deste ano, foram também anulados qualquer curso de Comandos até que à conclusão dos inquéritos abertos. Além do Exército, o Ministério Público e a Polícia Judiciária Militar também iniciaram investigações.

O curso de comandos, que se iniciou com 67 alunos e agora tem agora 48, foi retomado esta quinta-feira – informa a TSF.

(Artigo atualizado às 7h00 de sexta-feira)