O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, passou uma parte da manhã desta quinta-feira a responder a questões de jovens, em direto no canal oficial da Comissão no YouTube. Durante a iniciativa, Juncker conversou com três jovens “estrelas” da internet, a francesa Laetitia Birbes, o alemão Jonas Ems e o polaco Lukasz Jakóbiak. Ainda respondeu a perguntas enviadas por diversos jovens através das redes sociais e falou sobre quase todos os temas quentes do panorama europeu e também da sua vida pessoal. E destacou o seu “único princípio na política: quando mudo de ideias, digo às pessoas“.

Entre os assuntos abordados, surgiu o inevitável problema do terrorismo na Europa. Questionado por Jonas Ems, um ‘youtuber’ alemão, sobre que medidas tomar para combater o fenómeno, Juncker sublinhou: “Desde 2004, houve 30 ataques terroristas na Europa. Temos de saber quem entra e quem sai da Europa“. O presidente da Comissão Europeia afirmou ainda que “poucas pessoas sabem que a Europa é um continente de imigração”, destacando a importância dos movimentos migratórios no continente. “Nunca vamos ser como os Estados Unidos. A Europa vive da sua diversidade”, acrescentou.

O presidente da Comissão Europeia falou também (outra vez) sobre a polémica ida de Durão Barroso para o Goldman Sachs. “Penso que Barroso é um homem honesto e um amigo“, sublinhou Juncker à jovem francesa Laetitia Birbes, acrescentando que o antigo primeiro-ministro português “jogou de acordo com as regras”, ao cumprir os 18 meses sem cargos após deixar a Comissão Europeia. Juncker garantiu não ter “problemas com políticos que vão para o setor privado”, mas que “a questão foi ser este banco em particular“. Conversando com uma jovem francesa, o líder da Comissão Europeia explicou que “o Goldman Sachs foi um dos bancos que contribuíram para a grande crise económica que tivemos em 2007 e 2008″. Destacando que “quando alguém esteve a trabalhar no setor privado e vai para um cargo político, o que é comum nos Estados Unidos, ninguém se importa”, Juncker insistiu que não vê qualquer problema em um político ir trabalhar para a banca privada. “Mas talvez não neste banco”, concluiu.

Durão Barroso “jogou de acordo com as regras”, defende Juncker. “A questão foi ser este banco em particular”.

Juncker deixou ainda um conselho aos jovens europeus: “Os jovens precisam da União Europeia para a paz na Europa“, e deixou um alerta para a mudança de mentalidade no continente. “Na Europa, pensamos que somos os senhores do mundo, mas não somos. O mundo não precisa de senhores”, afirmou.

Na última entrevista, com o polaco Lukasz Jakóbiak, o presidente da Comissão Europeia falou mais de si, apesar de ter começado por dizer que não gosta de expor a sua vida privada. “Não sou uma estrela de cinema”, garantiu. “Quais são os benefícios do seu cargo na sua vida pessoal?”, perguntou-lhe o ‘youtuber’ polaco. “Nenhum”, garantiu. “A minha vida privada tem de ser gerida de forma totalmente separada do meu cargo”, sublinhou Juncker. Mas o jovem entrevistador disse-lhe que tendo em conta sua vida pública, o líder da Comissão parece mesmo uma estrela de cinema. “Ando sempre aos beijos, não é“, disse Juncker, perguntando ao jovem se já o tinha beijado. “Ainda não”. “Porque não agora?” E assim foi.

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Jean-Claude Juncker beija o ‘youtuber’ polaco Lukasz Jakóbiak durante a entrevista. (YouTube/European Commission)