Data: Sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Hora: 13h00

Local: Caixa Futebol Campus, Seixal

Tinha tudo para correr bem. Afinal, estava equipada a rigor, ia jogar em casa — eu, seixalense me confesso –, com pica e cheia de fé, mesmo que Jesus há muito tenha ido pregar para outra freguesia. E, para compor ainda mais o ramalhete, ia ter o Salvio como treinador. Tinha tudo para correr bem, repito. Só que não… É que, por mais requintadas que sejam as iguarias, se não houver bons talheres o banquete perde pompa. Sobra a piada. Foi mais ou menos isso que aconteceu. A tecnologia era de ponta, a casa era de sonho, o treinador até anda com a braçadeira do tricampeão agarrada ao braço, mas a mim faltou-me um bom pé direito, ou esquerdo.

Na verdade não sabia exatamente o que me esperava. Sabendo eu que bola para mim só se for de centeio com queijo pelo meio, sempre achei que poderia fazer bonito na parte da corrida num relvado imenso, evitando a esfera a qualquer custo. Mas, para minha surpresa, o campo, à torreira do sol, foi trocado por um recinto coberto, onde treinámos uns minutos. Até aqui tudo tranquilo e muito favorável. O mister não deu grandes dicas, mas deu-me um prazer imenso ao trocar umas bolas comigo. Ainda nem acredito que estive a “jogar” com um jogador do Benfica!! Ok, esta é a segunda confissão do texto e ainda só vamos no segundo parágrafo: eu, benfiquista me confesso.

E confessei-o também ao Salvio, sem arriscar num “portunhol”, a caminho do meu problema: o simulador 360S, um instrumento de tecnologia de ponta que, basicamente, testa o passe e a receção de bola, exigindo uma resposta em menos de cinco segundos, destreza mental e pontaria. Boa, tive toda uma máquina a testar quase tudo o que eu não domino. E nem as chuteiras que tinha calçadas e que, minutos antes, ainda no balneário, Salvio tinha dito que eram “mais rápidas que a luz”, me ajudaram.

Sim, é verdade, calcei umas chuteiras pela primeira vez na vida e estou até agora a pensar o que vou fazer com elas, mas tenho uma espécie de vitrina na minha sala onde acho que vão ficar mesmo bem.

Voltando ao simulador, a ideia era, um a um, os 21 jornalistas presentes no encontro tentarem passar a bola aos bonecos vermelhos em movimento ou acertar em cheio em quadrados verdes estáticos que acendiam nas redes de LED à nossa frente e dos nossos lados. Para nós o simulador 360 quebrou aos 180 e só havia dois canhões a disparar bolas, em vez de quatro. Era suposto tornar aquilo mais fácil. Acho que isso é que me matou: eu não gosto de coisas fáceis. Teria feito melhor nos 360.º, certamente. Ou foi isso ou o Salvio me ter dito antes mesmo de eu começar: “Chuta nos jogadores, não vais conseguir chutar nos quadrados”. Perdi fé. E não acertei nem nuns, nem noutros.

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A ideia era acertar com a bola ligeiramente à frente dos bonecos vermelhos, em movimento, ou nos quadrados verdes fixos

Como a minha equipa – a de preto – tinha menos um jogador, era preciso alguém repetir. Demos, estrategicamente, prioridade ao nosso treinador, mas o extremo do Benfica passou a vez. E ainda bem, não fosse ele lesionar-se e em vez de nove, o Benfica ficava com 10 jogadores encostados à box. Fui eu a sacrificada. Voltei ao círculo. Não resolvi, mas fiz um ponto. Menos mal.

Como números não é bem comigo, salto a parte do resultado. Posso apenas dizer-vos que festejaram os brancos, agarrados ao visivelmente orgulhoso Grimaldo, confiante na vitória desde o balneário. Salvio recusou assumir culpas: “Acho que não tive culpa. Também porque eu não fiz muito [risos], mas estiveram todos bem, as duas equipas”. Querem ver que agora era eu que as ia assumir? Eu também não fiz muito!

Despedi-me dos dois jogadores do Benfica com muitos sorrisos e um até breve, provavelmente, nunca mais. Fica a fotografia para recordação e o Seixal, esse, continuará sempre lá para me receber. Valeu!

* A jornalista esteve no centro de estágios do Benfica a convite da Adidas, para a apresentação das novas botas “Speed of Light”.