Os Estados Unidos já reconheceram o erro no ataque aéreo da coligação que lideram e que terá provocado a morte a 62 soldados do regime sírio, segundo denúncia do governo russo. O presidente norte-americano, Barack Obama, lamentou a perda “não intencional” de vidas no ataque que a coligação internacional liderada por Washington lançou contra forças do exército sírio na cidade de Deir al Zor, disse um alto funcionário do governo norte-americano.

O alto funcionário do Executivo, que pediu o anonimato, assegurou que os Estados Unidos transmitiram através da Rússia o seu “pesar” pela “perda não intencionada de vidas” e as forças do Exército sírio que lutam contra o Estado Islâmico (EI).

A embaixadora americana nas Nações Unidas, Samantha Power, afirmou entretanto aos jornalistas que os Estados Unidos lamentam o ataque que atingiu as forças do regime sírio e sublinhou que o incidente está a sere investigado. O bombardeamento vem fragilizar mais o cessar-fogo no conflito acordado entre a Rússia, o regime sírio e as forças da coligação comandada pelos Estados Unidos.

O Ministério de Defesa russo assegurou que 62 militares sírios morreram sábado no bombardeamento da coligação internacional perto do aeroporto de Deir ez-Zor, no leste da Síria. Outros 100 soldados sírios terão ficado feridos numa ofensiva realizada no sábado numa base militar sitiada pelas forças do autoproclamado Estado Islâmico, de acordo com informação das autoridades russas. A Rússia, que é aliada do regime do presidente sírio, exigiu a realização de uma reunião de emergência do conselho de segurança das Nações Unidas para existir explicações aos norte-americanos.

A saída desta reunião, que se realizou no sábado, a embaixadora americana nas Nações Unidas, desvalorizou a reação russa ao incidente e falou em hipocrisia, referindo-se aos ataques do regime contra hospitais e mercados que não suscitaram protestos do lado russo.

O Pentágono já tinha admitido este sábado a possibilidade do bombardeamento da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos ter atingido pessoas e viaturas do exército do governo sírio na cidade de Deir al Zor, a leste de Síria.

Em comunicado, o Pentágono assegurou que as forças da coligação internacional julgavam estar a atingir uma posição de um grupo de militares do Estado Islâmico (EI) que estavam a seguir há “uma quantidade significativa de tempo”.

No entanto, segundo o Pentágono, pessoal militar russo advertiu as forças da coligação internacional de que era “possível” que o pessoal e os veículos que estavam a bombardear faziam parte do exército do regime sírio e, então, a coligação internacional decidiu interromper o ataque.

“O ataque aéreo da coligação parou imediatamente quando funcionários da coligação foram informados pelas autoridades russas que que era possível que o pessoal e os veículos faziam parte do exército sírio”, explica o Pentágono num comunicado do Comando Centrar norte-americano.

Na sua nota, o Pentágono assegura que as forças da coligação internacional “não atingiram intencionalmente uma unidade militar síria” e adianta, recordando que a Síria vive “uma complexa situação com várias forças militares e milícias a operar em proximidade”.

“A coligação irá rever este ataque a as circunstâncias que o rodeiam para ver se é possível com ele aprender algumas lições”, conclui o comunicado do Pentágono.

O ataque, que aconteceu no penúltimo dia de uma trégua alcançada por mediação de Washington e Moscovo, no passado dia 09 de setembro, terá causado a morte de pelo menos 30 militares sírios, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, e 60 mortos das forças do regime sírio, segundo as autoridades russas.