O Instituto Allen das Ciências do Cérebro, em Seattle (Estados Unidos), publicou o atlas digital do cérebro humano mais pormenorizado até agora. O projeto, desenvolvido ao longo dos últimos cinco anos e divulgado no “The Journal of Comparative Neurology”, permite aos internautas fazer uma viagem virtual pelo cérebro de uma mulher de 34 anos, estudado até à exaustão após a morte da paciente.

A criação deste mapa obedeceu a três passos, de acordo com a explicação que o cientista Ed Lein deu à Scientific American. Primeiro, fez-se um scan completo ao cérebro através de duas técnicas de imagem: ressonância magnética e difusão. Ambas permitem obter uma espécie de fotografia da estrutura geral do órgão, mas também das conectividades entre fibras cerebrais. Depois, o cérebro foi cortado em 2.716 fatias muito finas que foram usadas para análise celular. Para tal, começaram por estudar a “arquitetura” das células para depois se concentrarem nos seus elementos estruturais, como fibras e a matéria branca, e em determinados tipos de neurónios. Por fim, catalogaram-se 862 estruturas cerebrais diferentes (como subregiões do tálamo ou da amígdala).

Embora esteja ao alcance de qualquer pessoa, Ed Lein acredita que este mapa pode ser uma ferramenta útil no quotidiano dos neurocientistas. O objetivo é que os médicos e investigadores, à medida que tirarem novas conclusões sobre o cérebro, adicionem as suas notas à plataforma. Este é um feito importante na história do mapeamento cerebral, que começou oficialmente em 1909 com o anatomista alemão Korbinian Brodmann.

Ainda no início deste ano, o Human Connectome Project usou métodos semelhantes para analisar 210 cérebros humanos. Mas o mapa assinado pelo Instituto Allen é o mais completo até à data.