As autoridades venezuelanas acusaram esta terça-feira uma empresa portuguesa de ter boicotado a distribuição de trigo para padarias de Caracas, para favorecer “clientes VIP”.

“A distribuidora Hermanos Camacho, situada em Caracas, cometeu boicote na distribuição de mais de trinta mil quilogramas de trigo para padarias, recebidos durante o mês de agosto, pelo que (esse produto) deverá ser distribuído de maneira equitativa”, acusou o superintendente nacional para a defesa dos direitos sócio-económicos.

Segundo William Contreras, a empresa, propriedade de portugueses radicados na Venezuela, “recebeu, durante o passado mês de agosto, um excedente de 7.600 sacos de farinha de trigo“, que em conjunto com uma outra distribuidora (Cargill) “vendeu, com sobre-preço, a clientes VIP ou privilegiados, gerando desta maneira boicote na distribuição”, delito sancionado com até 15 anos de prisão, segundo a legislação venezuelana.

“Entre estas duas empresas não existe uma relação contratual, ou um acordo. Além disso detetámos, na fiscalização, que utilizam intermediários, gerando falhas na distribuição”, explica um comunicado divulgado pela Superintendência para os Direitos Sócio-económicos (Sundde).

Segundo o chefe da Zona Operacional de Defesa Integral do Distrito Capital (Caracas), José Ornelas, estão a ser realizadas inspeções a distribuidoras, para fazer acompanhamento na distribuição de trigo às padarias, que é importado pelo Estado, para garantir que aqueles estabelecimentos comerciais recebam a matéria prima necessária.

Com frequência, os padeiros venezuelanos queixam-se de dificuldades para obter matéria-prima para o funcionamento das padarias.