O bilionário George Soros disse, esta terça-feira, que iria investir 500 milhões de dólares em companhias e startups fundadas por migrantes e refugiados, assim como em negócios e iniciativas que respondam às necessidades dos refugiados e das comunidades de acolhimento.

Soros, que em 1947 fugiu da Hungria para Inglaterra, disse que irá trabalhar com organizações internacionais que ajudam os refugiados para determinar como investir o dinheiro, mas deu a entender que a tecnologia é uma área provável.

Nós vamos procurar investimentos em vários setores, entre eles, o da tecnologia digital, que parece especialmente promissor como uma forma de fornecer soluções para os problemas específicos que as pessoas deslocadas muitas vezes enfrentam”, afirmou Soros.

Ser capaz de comunicar é crucial para os refugiados. Na semana passada, um estudo da U.N. High Commissioner for Refugees and Accenture descobriu que os telemóveis e o acesso à Internet são, agora, tão críticos para a segurança dos refugiados como abrigo, comida e água.

A tecnologia pode ajudar as pessoas a ter acesso aos serviços governamentais, legais, financeiros e de saúde, disse Soros.

Os investimentos serão feitos por organizações sem fins lucrativos de Soros:

Estes investimentos destinam-se a ser bem-sucedidos… Mas o nosso foco principal é criar produtos e serviços que realmente beneficiem os imigrantes e as comunidades de acolhimento”, assegurou.

Num artigo de opinião no Wall Street Journal, Soros escreveu que a sua principal preocupação é ajudar os migrantes e refugiados que chegam à Europa, mas que vai procurar boas ideias de investimento para beneficiar os migrantes em toda a parte.

Mais de 65 milhões de pessoas em todo o mundo foram forçadas a fugir de suas casas, de acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Entre eles estão cerca de 21,3 milhões de refugiados, mais de metade dos quais com menos de 18 anos.

Um recorde de 1,3 milhões de migrantes pediu asilo na Europa em 2015, quase o dobro do recorde anterior. O número de pessoas que foge para a Europa tem levado a conflitos políticos entre os países europeus — que até agora não chegaram a acordo sobre uma solução –, e alimentado os resultados eleitorais de partidos de extrema-direita xenófobos em alguns Estados da União Europeia.