As contas externas de Portugal registaram um saldo positivo de 249 milhões de euros até julho, o que representa uma queda de mais 900 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado, segundo o Banco de Portugal.

De acordo com uma nota estatística terça-feira publicada pelo banco central, nos primeiros sete meses de 2016, o saldo conjunto das balanças corrente e de capital situou-se em 249 milhões de euros, “inferior ao saldo de 1.161 milhões de euros registado no mesmo período de 2015”.

A balança de capital contribuiu positivamente para este desempenho das contas de Portugal com o estrangeiro, tendo apresentado um saldo de 772 milhões de euros entre janeiro de julho deste ano, mas a balança corrente penalizou este indicador, com um défice de 522 milhões de euros no mesmo período.

No ano passado, até julho, a balança de capital teve um saldo positivo de 1.314 milhões de euros e a balança corrente apresentou um défice de 152 milhões de euros, colocando as contas externas de Portugal nos 1.161 milhões de euros nos primeiros sete meses de 2015.

O Banco de Portugal explica que “as componentes de rendimento primário e secundário da balança corrente e a balança de capital contribuíram para a deterioração do saldo acumulado” e que, “em sentido contrário, verificou-se um aumento do saldo da balança de bens e serviços, que apresentou um excedente de 2.186 milhões de euros, superior aos 1.607 milhões de euros registados no período homólogo”.

Quanto à balança de bens e serviços, a instituição liderada por Carlos Costa indica que a sua evolução “deveu-se à redução das importações em 2,7% (variações de -3,2% nos bens e de -0,2% nos serviços)”, que foi “superior ao decréscimo de 1,3% das exportações (variações de -2,4% nos bens e de 1% nos serviços)”.

Já a rubrica ‘viagens e turismo’ apresentou um saldo positivo de 4.385 milhões de euros, “mais 11,5% do que em igual período de 2015”.

O défice da balança de rendimento primário totalizou 3.062 milhões de euros até julho, um aumento de cerca de 609 milhões de euros em relação aos mesmos meses de 2015, o que se deve “sobretudo ao aumento dos rendimentos distribuídos a não residentes”.

De acordo com a informação divulgada esta terça-feira pelo Banco de Portugal, “a redução dos fundos provenientes da União Europeia explica, em grande medida, a diminuição dos excedentes das balanças de rendimento secundário e de capital, embora a primeira tenha beneficiado da redução da contribuição financeira para a União Europeia”.