Quase 200 pessoas morreram na China desde o início do ano devido a acidentes químicos, revelou hoje a organização de proteção ambiental Greenpeace, que urgiu Pequim a reformar um setor “terrivelmente pouco regulado”.

Acidentes industriais são frequentes na China, onde em média morrem 70.000 trabalhadores por ano devido à violação das regras de segurança no local de trabalho.

Entre janeiro e agosto, o país registou 232 acidentes químicos, que causaram a morte de 199 pessoas e 400 feridos, segundo um comunicado difundido pela Greenpeace.

“A indústria química da China é a maior do mundo, mas está terrivelmente pouco regulada”, afirmou Cheng Qian, representante da organização no leste da Ásia.

“Acidentes trágicos acontecem quase todos os dias no país”, afirmou.

O relatório surge cerca de um ano após uma explosão em Tianjin, cidade portuária no norte da China, ter causado a morte de 165 pessoas e destruído infraestruturas num raio de quilómetros.

Os dados da Greenpeace foram coletados a partir de notícias na imprensa e páginas do Governo na internet.

A fuga de produtos químicos foi responsável por 43% dos acidentes, seguida de fogos e explosões, detalha.

A maioria das 33.000 unidades de produtos químicos na China está concentrada no leste do país, onde os níveis de densidade populacional são maiores.

Pequim deve “reformar profundamente” a sua política de gestão de produtos químicos, visando garantir a segurança para a saúde e o ambiente, lê-se no comunicado da organização.

Em junho passado, mais de 130 pessoas foram hospitalizadas, depois de produtos químicos terem vazado de uma fábrica no leste da China.

Em abril, um incêndio provocado por produtos químicos durou 16 horas, na província de Jiangsu, costa leste do país, depois de uma explosão num armazém de produtos químicos e combustível.

Cerca de 400 bombeiros foram chamados para combater as chamas.