Os 502 acionistas do BPI, detentores de ações correspondentes a 88,27% do capital social, votaram a favor da desblindagem dos estatutos da instituição, o que permite desbloquear o limite máximo de 20% dos direitos de voto e assim dar seguimento à OPA do CaixaBank sobre o banco liderado por Fernando Ulrich. A angolana Isabel dos Santos absteve-se na votação que decorreu esta quarta-feira na assembleia-geral do banco, que teve início pelas 10h30 na Fundação Serralves, no Porto.

Este assunto da desblindagem do banco estou certo que está concluído, estou certo que está terminado”, referiu Artur Santos Silva, presidente do conselho de administração do BPI, que respondia às perguntas dos jornalistas no final da assembleia geral, sem revelar posições dos acionistas.

“O que o conselho fez foi determinante. Aliás, houve posições no final da semana passada do BCE de que este assunto devia ser resolvido hoje e se não acontecesse havia consequências indesejáveis para o banco. Esse assunto ficou resolvido com este passo” acrescentou Santos Silva.

No comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o BPI informa que “a proposta apresentada pelo Conselho de Administração foi votada sujeita à condição suspensiva da homologação judicial da desistência da providência que impedia a sua votação e obteve votos a favor de 94,04% dos votos expressos“.

A proposta apresentada pelo Acionista Violas Ferreira Financial, S.A. obteve votos a favor de 88,22% dos votos expressos, cumprindo assim o requisito estatutário de aprovação por maioria de 75% dos votos expressos e tendo sido observada a limitação de contagem dos direitos de voto.”

Com a desblindagem dos estatutos será possível dar seguimento à OPA lançada pelo CaixaBank, que possui 45% do banco liderado por Fernando Ulrich. Esta era uma condição imposta pelos catalães, que são o maior acionista do BPI. Só com o fim do teto máximo de 20% dos direitos de voto, o CaixaBank garante que o seu poder na instituição é idêntico à participação que detém no seu capital. O banco espanhol tem quase 45% do capital do BPI.

A angolana Isabel dos Santos, que até aqui se mostrou contra a desblindagem, absteve-se na votação desta quarta-feira. Para isso contribuiu a carta enviada ontem pelo BPI para Luanda, com uma proposta de venda de 2% do capital do Banco do Fomento de Angola à Unitel, empresa controlada pela empresária angolana, de forma a ir ao encontro daquela que era uma pretensão antiga de Isabel dos Santos e que passava por ter o controlo da maioria do capital daquela instituição financeira angolana.

Em troca, o BPI receberia 28 milhões de euros e a garantia de que a Unitel votaria a favor da desblindagem de estatutos do BPI. Com esta proposta de venda de 2% do BFA, o BPI daria também resposta a outra imposição do Banco Central Europeu: a redução da exposição excessiva a Angola.

Sobre a proposta de venda, Santos Silva referiu que “foi aprovada por unanimidade no conselho que se realizou ontem [terça-feira] de manhã e apenas com uma abstenção”.

“O facto de estes problemas estarem resolvidos permite que possamos estar concentrados no negócio, nas operações, nos clientes. Contem com um BPI mais forte, mais focado, mais determinado”, afirmou, por seu lado, o presidente da Comissão Executiva, Fernando Ulrich.