A Polícia Federal brasileira prendeu preventivamente, esta quinta-feira, Guido Mantega, ex-ministro do Planeamento, Orçamento e Gestão e das Finanças de Lula da Silva e ex-ministro das Finanças de Dilma Rousseff, avança o jornal Estado de S. Paulo. As autoridades brasileiras investigam se Mantega participou de um alegado esquema de “luvas” que desviava dinheiro da Petrobras para o Partido do Trabalhadores, em 2012.

Segundo relata o site G1, a Polícia Federal realizou mandados de busca e apreensão na casa de Mantega, em São Paulo. Em seguida, dirigiu-se ao hospital Albert Einstein, também na capital paulista, onde o ex-ministro petista estava com a mulher, que passou por uma cirurgia. O político foi solto esta tarde, após prestar informações às autoridades brasileiras.

O mandato de prisão preventiva foi realizado no âmbito da 34.ª fase da Operação Lava Jato, que tem como alvo contratados assinados pela Petrobras com as empresas OSX Construção Naval e Mendes Júnior para a construção de duas plataformas para a exploração de petróleo na chamada camada do pré-sal, uma espécie de camada por baixo do fundo do mar.

A etapa foi batizada de “Operação Arquivo X”, em referência à repetição da letra “X” nos nomes da empresas que pertencem ao grupo empresarial OSX, investigado pelas autoridades brasileiras. Ao total, foram expedidos 33 mandados de busca e apreensão, oito de prisão temporária e oito de condução coercitiva (que é quando a pessoa é levada para prestar depoimento) em seis estados brasileiros.

Segundo explica num comunicado de imprensa, a Polícia Federal investiga “um ex-ministro de Estado, executivos das empresas Mendes Júnior e OSX Construção Naval S.A., assim como representantes de empresas por elas utilizadas para o repasse de vantagens indevidas, que beneficiou agentes públicos em diferentes esferas”. Este processo acontecia a partir de uma empresa de fachada, que “não possuía uma estrutura minimamente compatível com tais recebimentos”, descreve o documento.

De acordo com a Polícia Federal, Guido Mantega terá pedido um pagamento de cerca de 1,37 milhões de euros para o ex-presidente do Conselho de Administração da OSX, Eike Batista, “no interesse do Partido dos Trabalhadores (PT)”. Este dinheiro terá sido destinado a publicitários do partido já denunciados por lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. Numa conferência de imprensa, esta quinta-feira, o procurador da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, disse que que o pagamento foi feito a Mônica Moura, empresária e mulher do ex-publicitário do PT, João Santana, ambos investigados pela operação.

Guido Mantega foi um dos homens de confiança de Lula da Silva. Formado em economia e sociologia, ajudou o ex-Presidente do Brasil a elaborar o seu programa económico com o qual venceu as eleições para o seu primeiro mandato, em 2002. Com a vitória de Lula da Silva, assumiu o ministério do Planeamento, Orçamento e Gestão, em 2013, e foi transferido para a pasta das Finanças, em 2006, onde permaneceu até 2014, já no governo de Dilma Rousseff.

O juiz federal Sérgio Moro, que trata dos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, aceitou, esta terça-feira, a acusação do Ministério Público brasileiro contra Lula da Silva por corrupção e lavagem de dinheiro por alegadamente ter aceitado cerca de 900 mil euros em subornos disfarçados como presentes de empresas investigadas pelas autoridades brasileiras. O petista tem afirmado extensivamente que é inocente e acredita ser alvo de uma “perseguição judicial” de uma “elite económica e política”.