O Bank of America afastou-se do papel de assessor da Amorim Energia na venda de uma participação na Galp Energia devido às ligações com a empresária angolana Isabel dos Santos. A informação é avançada pela agência Bloomberg, que adianta que o envolvimento no negócio não passou no comité interno do banco de investimento americano. Em causa esteve a avaliação de potenciais riscos reputacionais para o banco de participar numa operação que envolvia Isabel dos Santos.

A empresária angolana é acionista minoritária da Amorim Energia, a empresa controlada por Américo Amorim que colocou à venda uma participação de 5% na Galp Energia. Isabel dos Santos e a Sonangol controlam 45% da Amorim Energia, que encaixou 485 milhões de euros com a transação.

De acordo com fontes citadas pela Bloomberg, a avaliação interna do Bank of America aos riscos de reputação não ficou concluída a tempo de permitir a sua participação no negócio, que foi concretizado no passado dia 15 de setembro. A transação acabou por ter como único banco assessor, a Société Générale Corporate & Investment Banking.

Isabel dos Santos, que foi recentemente nomeada presidente executiva da Sonangol, é filha do presidente José Eduardo dos Santos, uma ligação que a classifica logo como Pessoa Politicamente Exposta. Esta classificação obriga os bancos ao dever acrescido de fiscalizar a monitorizar operações bancárias que a envolvam.

A Bloomberg recorda que a empresária foi nomeada pelo pai para liderar a petrolífera estatal angolana, uma nomeação que provocou protestos em Angola, com o principal partido da oposição a acusar Eduardo dos Santos de nepotismo. Um grupo de juristas angolanos ameaçou mesmo impugnar a designação de Isabel dos Santos.

Os bancos de investimento estão cada vez mais sensíveis aos riscos reputacionais num ambiente regulatório muito exigente em que várias instituições foram multadas por negligenciar os requisitos exigidos aos bancos na prevenção e controlo do branqueamento de capitais e por relações inapropriadas com os clientes.

De acordo com a Bloomberg, o Bank of America já tinha participado em transações para Américo Amorim. A instituição não quis comentar a informação que também não foi comentada por um porta-voz de Isabel dos Santos.