A segunda geração do Citroën C4 Picasso, de cinco lugares, bem como da variante com espaço para sete, denominada Grand Picasso, introduzidas no mercado em 2013, fazem parte do lote de propostas da marca francesa que atingiram um considerável sucesso comercial, praticamente desde o primeiro momento, figurando sempre entre os três modelos mais vendidos do segmento.

Hoje, o monovolume francês continua no pódio das vendas, atrás de dois representantes do segmento premium – o BMW Série 2 Active Tourer (com uma quota de mercado de 32%) e o Classe B da Mercedes (10%) – com o Citroën a não ultrapassar os 8,1% das vendas. E é precisamente para recuperar a distância ao líder que a família C4 Picasso surge agora com argumentos comerciais reforçados.

Preços

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O C4 Picasso a gasolina é proposto a partir de 21.960€ (com motor 1.2 PureTech 110 cv e sistema Start & Stop, com caixa manual de cinco velocidades e nível de equipamento Live), com as motorizações a gasóleo a começarem nos 26.260€ (1.6 BlueHDI com 100 cv, com especificações similares). A versão que deverá continuar a usufruir da maior procura, a 1.6 BlueHDI com 120 cv, S&S, caixa de seis velocidades e nível de equipamento intermédio Feel, será proposta por 30.066€.

Quanto ao Grand C4 Picasso, preços a partir de 25.460€ (1.2 PureTech 130 S&S CVM6) e 28.760€ (1.6 BlueHDI 100 S&S CVM5), sendo que o modelo mais procurado – 1.6 BlueHDI 120 S&S CVM6 Feel – custará 32.560€.

Continuando a ser produzido exclusivamente na fábrica da PSA em Vigo, o monovolume francês concentra as suas novidades nos conteúdos… e nos preços. Sem alterações em aspectos estruturantes, como a plataforma (mantém-se a EMP2 do grupo PSA, que estreou), direcção, travagem ou dimensões, é caso para dizer que, até mesmo no aspecto exterior, não será fácil encontrar diferenças significativas.

Só um observador atento notará que a versão de sete lugares passou a exibir a mesma frente da versão com assentos para cinco, que a zona da matrícula e molduras das ópticas dianteiras passaram a ter fundo negro e que a assinatura luminosa dianteira, em LED, passa a ser a mesma de todos os modelos da marca. E, se continuar a análise à lupa, não lhe escaparão as barras longitudinais no tejadilho apenas em cor Silver, as jantes agora com novo design, e o duplo chevron mais arredondado, tal como o estreado no C4 Cactus.

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No caso da versão de cinco lugares, há agora a possibilidade de optar por por um tejadilho de cor preta, hipótese que, conjugada com uma das cores de carroçaria disponíveis, permite até 15 combinações diferentes.

Habitáculo espaçoso e versátil

Já confortavelmente instalados no interior do habitáculo, constatamos que este continua em excelente plano no que respeita ao acesso, estética e funcionalidades. É igualmente possível verificar que algumas das maiores novidades nesta família C4 Picasso passam pela disponibilização de novos ambientes totalmente personalizáveis, dois dos quais – Dune Beige e Hype Grey – já constituídos e que podem ser integrados com o nível de equipamento intermédio Feel.

Ambientes: facilitar a escolha

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Procurando descomplicar a sempre difícil tarefa de escolher quais os opcionais que combinam com outros opcionais, a Citroën decidiu criar packs para o interior do C4 Picasso, a que chamou “Ambientes”. Uma novidade que, embora para já disponível apenas para conjugação com o nível de equipamento intermédio, denominado Feel, ajuda a criar diferenciação e um melhor ambiente a bordo, bastando para tal escolher uma de duas soluções. Uma opção é o Ambiente Dune Beige (570€), sinónimo de sistema de aromatização do ar, banco do passageiro da frente e encostos de cabeça Relax, luz de leitura nas mesas das costas dos bancos dianteiros e tapetes de conforto. Em alternativa, o Ambiente Hype Grey (1.100€) inclui o pack Lounge, iluminação interior de LED, pack crianças, soleiras das portas cromadas e os já referidos tapetes. Para aqueles que não abdicam de maior luxo há o opcional pack em couro perfurado Mistral ou em Nappa bi-tom (1.500€ – 2.000€).

O monovolume francês usufrui não apenas de jantes em liga leve de 16” e revestimento em tom Ardósia, mas também de soluções como o pack City (ajuda ao estacionamento traseiro, retrovisores exteriores rebatíveis electricamente e iluminação de acolhimento), ou o pack crianças (cortinas nos lugares traseiros, retrovisor interior suplementar, regulação longitudinal dos bancos traseiros). A que se juntam o ecrã táctil de 7”, para além de botão Start, limitador/regulador de velocidade.

A segurança não foi esquecida, pelo que a detecção de perda de pressão nos pneus, travão de estacionamento eléctrico, direcção assistida eléctrica, pack Auto (faróis, ar condicionado e limpa pára-brisas dianteiro automáticos) e faróis de nevoeiro passam a estar presentes.

Num habitáculo onde o espaço disponível para qualquer um dos cinco ocupantes continua a ser surpreendente, mantém-se igualmente não só a possibilidade de regulação em profundidade de qualquer um dos três bancos individuais da 2.ª fila, como uma capacidade de carga na bagageira que, valorizada por um óptimo acesso e um portão traseiro de abertura eléctrica com o pé, começa por oferecer 630 litros na versão de cinco lugares e 704 litros no Grand C4 Picasso.

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Na versão de cinco lugares, a capacidade da bagageira cifra-se em 630 litros, crescendo para os 704 litros no Grand C4 Picasso

Ainda sobre o equipamento, referência para o novo sistema 3D Citroën Connect Nav, com os trajectos exibidos em 3D tanto no ecrã de 7″ como no de 12″, e do qual fazem ainda parte o Citroën Connect Radio e o Citroën Connect Box com Pack SOS e Assistência incluídos. Sendo que, no capítulo da segurança, importa destacar a disponibilização de funcionalidades como o aviso de transposição involuntária da faixa de rodagem, uma novidade no modelo e que inclusivamente corrige a trajectória. O sistema de vigilância do ângulo morto também está disponível, bem como o reconhecimento dos sinais de velocidade e de informação e o regulador de velocidade adaptativo com função de Stop. Para evitar o sono ao volante, os C4 Picasso passam a estar dotados com o alerta de atenção do condutor, o Coffee Break Alert, o alerta de risco de colisão e o Active Safety Brake, que só estará disponível nas unidades produzidas a partir de Novembro.

Thomas Brémond @ Dream On Productions

Conduzimos o 1.6 BlueHDI 120 cv a gasóleo, com Stop&Start e caixa manual de seis velocidades

Confortável e poupadinho

Convidado para a apresentação ibérica, que teve lugar nas estradas espanholas em redor de Vigo, na quase portuguesa Galiza, o Observador teve oportunidade de conduzir a versão mais procurada entre nós, equipada com o motor 1.6 BlueHDI 120 cv a gasóleo, com Stop&Start e caixa manual de seis velocidades.

Motores

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Apesar da experiência dos últimos anos dizer o contrário, os responsáveis da Citroën em Portugal acreditam que, com a oferta em termos de motores que o C4 Picasso passa a possuir, a gasolina pode mesmo ser uma aposta.

A justificar este sentimento, não só um 1.2 PureTech 130 S&S com caixa manual (116 g/km) ou automática (115 g/km), ambos disponíveis tanto na versão de cinco lugares como na de sete, como uma outra versão, menos potente (110 cv) desse mesmo bloco, a qual, acoplada a caixa manual de cinco velocidades (115 g/km), também pode ser opção na variante com menos bancos.

Já a diesel, a oferta passa pelo já muito conhecido 1.6 BlueHDI de 120 cv, com caixa manual (100 g/km) ou automática (102 g/km) de seis velocidades, e pelo 2.0 BlueHDI de 150 S&S, com caixa manual de seis (107 g/km). Sendo que, no caso do Grand C4 Picasso, há ainda a acrescentar o 1.6 BlueHDI de 100 cv com caixa manual de cinco velocidades (99 g/km) e o 2.0 BlueHDI de 150, mas com transmissão automática de seis relações (112 g/km).

Num automóvel concebido para a família, que convida a viagens longas, em plano de claro destaque continua o conforto – objectivo último daquilo que a marca designa como o programa Citroën Advanced Comfort, que se traduz num trabalho mais apurado na suspensão, melhorias ao nível da insonorização e da filtragem de ruídos. E apesar do conjunto amortecedor/mola permitir alguma inclinação da carroçaria, a velocidades mais altas ou em curvas mais apertadas, a verdade é que não belisca a eficácia do modelo, nem o conforto que proporciona. A direcção, com um “peso” certo e uma precisão razoável, torna o C4 Picasso capaz de agradar aos condutores que queiram imprimir um ritmo mais vivo.

Quanto ao 1.6 Blue HDI de 120 cv, a surpresa veio, principalmente, da óptima insonorização, quase não se fazendo ouvir no habitáculo, a que se junta a já conhecida disponibilidade de força desde os regimes mais baixos. Tudo isto, com médias nos consumos não menos convincentes: 5,5 l/100 km foi o nosso registo, valor obtido em estrada e a rodar sem grandes preocupações de economia.

Thomas Brémond @ Dream On Productions

Mesmo a rodar sem grandes preocupações de economia, o bloco 1.6 Blue HDI de 120 cv revelou-se pouco atrevido em matéria de consumo

Com chegada ao mercado nacional agendada já para o final do presente mês, a verdade é que não ficam por aqui as boas surpresas nesta agora renovada família C4 Picasso e Grand C4 Picasso, já que, também no preço, a marca do double chevron promete agradar. Comparado com as variantes actualmente em comercialização, os novos C4 Picasso e Grand C4 Picasso anunciam descidas no preço de venda ao público na ordem dos 2.000€. Sendo que, a este desconto, há ainda que somar o facto de as novas versões apresentarem de série mais equipamento que, segundo as contas feitas pela marca, pode mesmo chegar aos 1.200€.