O texto da petição que começou a circular online é curto e simples: os abaixo assinados querem que o Forte de Peniche permaneça património nacional e saia da lista elaborada pelo Governo onde constam os nomes de 30 monumentos que deverão ser concessionados a entidades privadas que os transformarão em unidades hoteleiras, restaurantes ou salas de conferências.

Os abaixo assinados democratas antifascistas, surpreendidos com as recentes notícias sobre a concessão do Forte de Peniche, empenhados na defesa da necessária preservação da memória e resistência ao fascismo e pelo respeito de milhares de portugueses que deram o melhor das suas vidas para que o povo português pudesse viver em liberdade, apelam ao Governo para que o Forte de Peniche permaneça património nacional, símbolo da repressão fascista e da luta pela liberdade.

Da lista de primeiros subscritores constam os nomes de Mário de Carvalho, Domingues Abrantes, Diana Andringa ou Catalina Pestana, entre outros.

O PCP manifestou-se quase de imediato contra esta ideia do Governo anunciada pela secretária de Estado do Turismo e exigiu a “suspensão imediata dos concursos já lançados ou a lançar” e o “início de um debate alargado sobre o património cultural”. Os comunistas referiram-se, em particular, ao caso do Forte de Peniche:

Pelo simbolismo que encerra, não podemos deixar de criticar de forma veemente o facto de o Governo ter colocado nesta lista a Fortaleza de Peniche, ignorando a importância histórica e cultural de um espaço onde não é possível conciliar a atividade hoteleira e turística com a necessidade de preservar integralmente as suas características prisionais históricas”.

Autarca do PCP defendeu inclusão do Forte de Peniche na lista de concessões

Esta manhã o jornal Expresso adiantava que o presidente da Câmara Municipal de Peniche, eleito pela CDU, foi um dos defensores da inclusão do Forte de Peniche na lista apresentada pela secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho. Uma posição que o autarca assume sem problemas, uma vez que, diz, é uma ideia defendida por toda a Câmara e um projeto que já vem de 2005, altura em que o executivo camarário era liderado pelos socialistas.

Em 2008 chegou a existir um projeto do Grupo Pestana para a construção de uma pousada, da autoria de Siza Vieira. Dois anos mais tarde o arquiteto foi afastado do projeto por não concordar com o número de quartos pretendido pelos promotores. na altura, Siza Vieira discordou da transformação do Forte num hotel., levantando dúvidas sobre a compatibilidade de uma obra daquelas com a necessidade de se preservar a memória histórica. “Não é uma coisa que se faça de ânimo leve”, sublinhou, em declarações à Agência Lusa.

António José Correia, que já naquela altura estava empenhado em concluir o projeto da Enatur, sublinha agora que o (novo) projeto não põe em causa os espaços históricos e que assim se está a “preservar a memória do Forte de Peniche”.

O Forte de Peniche é um marco do Estado Novo e da repressão política durante a ditadura de Salazar. Entre 1934 e 1974 foi transformado em prisão de presos políticos. Lá esteve preso Álvaro Cunhal, que a 3 de janeiro de 1960 protagonizou, a par com outros nove presos, a célebre fuga de Peniche.