Devagar, devagarinho, com alguma sorte à mistura. Ah, e com classe também. Foi assim a vitória gorda do Benfica sobre o Feirense (4-0), que surgiu na Luz fresco e ligado, com uma excelente oportunidade de golo no primeiro minuto, mas que foi caindo, com os tais galos pelo meio. Um autogolo e um alívio que acabou na baliza de Peçanha ditaram o 2-0. A partir daí foi um passeio no parque para a equipa de Rui Vitória…

Bom, comecemos pelo princípio. Luisão voltou à equipa titular, esteve perto de marcar mais do que uma vez e a sua baliza não sofreu qualquer golo. Isso é tudo muito bonito, mas incrível mesmo é ter-se tornado no décimo jogador do Benfica com mais jogos na Primeira Divisão. São 295 ao todo. Duzentos e noventa e cinco. É dose. À frente dele só estão senhores como Toni, Eusébio, António Simões, Bento, Shéu, Humberto Coelho, Coluna, Veloso e Nené. Uff!

Rui Vitória decidiu mudar algumas peças em relação ao jogo com o Nápoles, para a Liga dos Campeões: Ederson, Luisão, Salvio e Gonçalo Guedes entram para os lugares de Júlio César, Lisandro, André Almeida e André Horta.

Bastaram qualquer coisa como 90 segundos para o Feirense deixar a baliza do Benfica em xeque. Atrevida, a equipa de José Mota fez dois cruzamentos para a área, sendo que num desses lances Cris falhou com a baliza a sorrir para ele, à espera que lhe fizessem balançar as redes brancas. Falhou o Feirense, falhou a seguir o Benfica, por Mitroglou. Depois foi Salvio, com a cabeça, oferecendo a Peçanha a oportunidade de brilhar. Foi um belo voo do guarda-redes brasileiro.

BENFICA: Ederson; Semedo, Luisão, Lindelof, Grimaldo; Fejsa; Salvio, Pizzi e Carrillo; Guedes e Mitroglou
FEIRENSE: Peçanha; Jean Sony, Icaro, Monteiro, Vítor Bruno; Cris, Dias e Semedo; Luís Aurélio, Karamanos e Machado

E outra vez: Salvio e Luisão confirmavam o desacerto nesta tarde de domingo no Estádio da Luz. O primeiro com o pé direito, o segundo com a cabeça. Nada feito. Até que um lançamento de Salvio levou Luís Aurélio a fazer uma asneirada grossa: abordagem pouco jeitosa e pontapé nas orelhas da bola, já dentro da área. Resultado? Bola na baliza, 1-0. É galo. Ou um vento a favor que Rui Vitória parece ter.

O Benfica ia controlando tudo: a bola, os espaços, os movimentos e perigos. Mas tudo devagar, devagarinho, com Pizzi, a número 8 no lugar de Horta, como maestro da coisa. Carrillo voltou a ter uma exibição apagada. Guedes continua bem e competitivo. Salvio está a subir, claramente. E Fejsa, bom, Fejsa continua a jogar muuuuito. Intervalo na Luz: 12-2 em remates e 71% de posse de bola para os encarnados.

A segunda parte continuou com a mesma toada: muito Benfica e pouco ritmo. Karamanos, o avançado grego do Feirense, deu finalmente ar da sua graça e cabeceou uma bola ao primeiro poste. Perigoso? Nem por isso, mas a movimentação foi das boas, de avançado.

O segundo golo do Benfica foi outro galo do Feirense. Guedes inventou uma jogada pela direita e lá entrou, aventureiro, pela área dos rivais. O cruzamento saiu bem, mas a defesa sacudiu, sem aliviar. A bola aterrou finalmente no pé de Icaro, que tentou bater na frente. O defesa não contava é que Salvio se lançaria para cortar a bola, que caprichosamente seguiu o caminho da baliza depois de bater na bota do argentino, 2-0. Tudo mais fácil. Como? Devagar, devagarinho. E com o vento a favor…

Dez minutos depois do segundo da tarde, o Benfica fez um golo decente finalmente. Pizzi, cada vez mais indiscutível seja em que posição for, voltou a estar num golo do Benfica. Nelson Semedo recebeu a bola do médio na direita e cruzou para a grande área, onde apareceu de rompante Cervi. O argentino marcou de cabeça, imagine-se, 3-0.

O Feirense procurou reagir, mas raramente soube levar a bola até à zona de Ederson e companhia. Seria o Benfica a ter mais uma ou outra oportunidade. Zivkovic entraria, mexendo com o jogo. Também José Gomes teria a sua oportunidade. O menino de 17 anos, já perto dos 90′, recebeu uma bola de Zivkovic na área e trocou-se todo, deu muitos toques na bola, não foi matador e deixou a possibilidade de festejar o primeiro golo na Luz, com a camisola dos grandes.

Grimaldo, talvez para mostrar ao garoto como se fazia, mandou uma senhora castanhada de fora da área, com a canhota. Peçanha voltou a voar e a defender. O que o brasileiro não conseguiu parar foi o livre do lateral esquerdo, que aproveitou o último lance do jogo para se armar em Siniša Mihajlović: livre direto e golo, 4-0. Goleada na Luz e liderança isolada, com mais três pontos do que Sporting e FC Porto. Vêm aí uma pausa no campeonato: os próximos jogos são com 1º Dezembro (Taça) e Dinamo Kiev (Liga dos Campeões.