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Colombianos rejeitam acordo de paz com as FARC

Numa disputa muito renhida o "não" levou a melhor com 50,24%, contra 49,75% do "sim". Falta apenas apurar 1% das mesas de voto. FARC mantém ânimo e presidente colombiano marca reunião de emergência

  • Texto de Sónia Simões, Rui Pedro Antunes, João Francisco Gomes e Agência Lusa
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GUILLERMO LEGARIA/AFP/Getty Images

GUILLERMO LEGARIA/AFP/Getty Images

Os colombianos disseram este domingo “não” a um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que pretendia pôr fim a 52 anos de conflito armado. Num país praticamente dividido ao meio, e com 99,08% das mesas contadas, o “não” vencia ao final da noite por 50,24% dos votos contra 49,75% do “sim”.

Após a vitória do “não”, o presidente Juan Manuel dos Santos convocou uma reunião de emergência em Nariño. O governante sai fragilizado, depois de quatro anos de um processo de paz que o povo agora não aceitou. A desilusão do lado do “sim” é grande, e há choros e abraços entre os que perderam o referendo. No entanto, a própria guerrilha parece não ter perdido a esperança de alcançar a paz. Na conta oficial do Twitter dá a entender que enterrar o machado de guerra não depende de um referendo, mas de palavras e ações.

Era necessário o “sim” de 4,5 milhões de colombianos (13% dos eleitores) para pôr um ponto final a mais meio século de guerra entre o governo e o maior grupo guerrilheiro da Colômbia. Foram quatro anos de negociações até o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e o líder FARC, Rodrigo Londoño Echeverri (mais conhecido por Timoleon Jimenez ou Timochenko) chegarem a um acordo que ficou firmado em 297 páginas. A Agência Brasil recorda que, em 52 anos de conflito armado, morreram 220 mil pessoas — a maior parte civis. Mais cinco milhões abandonaram as suas casas à procura de paz.

A enfermeira Laura Ocampo foi uma delas. Mudou-se para a Argentina. Recorda que os pais, hoje com 80 anos, acompanharam o conflito desde sempre. E que inicialmente os colombianos apoiavam a guerrilha, porque esta defendia a reforma agrária. Hoje, segundo as últimas sondagens, 55% a 66% dos votos devem ser pelo sim. A pergunta a que respondem é: “Apoia o acordo final para o fim do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura na Colombia?”. O ex-presidente Álvaro Uribe fez campanha pelo “não”, mas apenas 35% dos colombianos estariam inclinados a rejeitar o processo de paz.

O conflito começou nos anos 60, quando os partidos Liberal e Conservador terão recorrido a armas para solucionarem os seus conflitos. Os agricultores, vítimas da violência, formaram as FARC – inspirados na revolução cubana, que lutava pela reforma agrária e uma economia socialista. Apesar de não ter alcançado seu objetivo, refere a Agência Brasil, as FARC cresceram, chegando a ter 20 mil homens armados.

O acordo prevê que os sete mil guerrilheiros que existem entreguem as armas num prazo de seis meses e que sejam incorporados na vida civil, com direito a formar seu próprio partido politico e disputar eleições. Haverá uma amnistia, mas não para aqueles que cometeram crimes contra a humanidade. O documento também prevê uma reforma agrária e o compromisso de erradicar os cultivos de drogas ilegais, que têm sustentado as FARC.

Presidente da Colômbia admite derrota no referendo sobre o acordo de paz

O Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, reconheceu, esta segunda-feira, a vitória do “não” no referendo sobre o acordo de paz assinado com a guerrilha das FARC, mas prometeu continuar os esforços para acabar com a guerra de 52 anos.

Juan Manuel Santos manteve, no entanto, o objetivo de acabar com o conflito: “Não vou desistir e vou continuar a procurar a paz até ao último dia do meu mandato”, afirmou.

Para que a consulta popular seja válida, é necessário um mínimo de 4.536.992 votos “sim”, fasquia que foi ultrapassada.

O acordo de paz foi assinado na segunda-feira, em Cartagena das Índias, pelo Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e pelo “número um” das FARC, Rodrigo Londoño.

“A paz triunfará”, diz Timochenko

Numa declaração a partir de Cuba, o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri (por Timoleon Jimenez ou Timochenko), disse “lamentar profundamente que o poder destrutivo dos que semeiam o ódio e o rancor tenha influenciado a opinião da população colombiana”.

“Com o resultado de hoje, sabemos que o nosso desafio como movimento político é ainda maior e precisa de nós mais fortes para construir uma paz estável e duradoura”, disse o líder da guerrilha aos jornalistas.

Timochenko garantiu ainda que as FARC “mantêm a sua vontade de paz e reiteram a sua disposição de usar apenas a palavra como arma de construção do futuro”, sublinhando que “o povo colombiano que sonha com a paz” pode contar com a organização. “A paz triunfará”, concluiu.

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