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Em julho deste ano, um complexo humanitário em Jaba, no Sudão do Sul, foi atacado por cerca de 100 soldados do Exército Popular de Libertação do Sudão. Para além da morte de um jornalista sudanês (possivelmente por pertencer à etnia nuer), o ataque resultou na violação de vários trabalhadores de ajuda humanitária. As forças das Nações Unidas no país nada fizeram para proteger os trabalhadores, e os soldados chineses e etíopes recusaram-se mesmo a abandonar as suas bases, revelou um relatório do Center for Civilians in Conflict (Civic), um grupo de direitos humanos sediado em Washington.

À France-Presse, Federico Borello, diretor-executivo do Civic, explicou que “a missão de paz das Nações Unidas enfrentou um desafio”, mas que “não esteve à altura”. De acordo com Borello, as forças não protegeram “os civis que estavam dentro e fora das bases”. “De modo a assegurar que estes problemas não se repetem, é muito importante que as Nações Unidas sejam transparentes em relação ao que correu mal e que responsabilizem os indivíduos ou unidades que falharam.”

Porém, de acordo com a Civic, os problemas de julho passado não são novidade. Em fevereiro, os saldados etíopes, indianos e ruandeses que compõem as forças das Nações Unidas no Sudão do Sul não fizeram no sentido de proteger um campo de refugiados que foi atacado a norte da cidade de Malakal. Cerca de 30 pessoas perderam a vida. Meses depois do incidente, as Nações Unidas admitiram a “inação, abandono do posto e recusa” em responder às ordens. Porém, ninguém chegou a ser responsabilizado.

Oficiais das Nações Unidas garantem que o relatório levanta vários problemas e que a onda de violência em Jaba será investigada muito em breve. Numa resposta por escrito, a ONU referiu que os campos de refugiados não conseguem “fornecer uma opção viável” para o problema de segurança que afeta centenas de sudaneses. “Precisamos de acelerar o processo de paz no Sudão do Sul com rapidez.”

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