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Governo corta previsão de crescimento em um terço

O Observador sabe que o Executivo está a trabalhar o Orçamento com o pressuposto que a economia crescerá apenas 1,2% este ano. Em 2017, o crescimento deve ser de 1,5%, mas a previsão não está fechada

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MÁRIO CRUZ/LUSA

MÁRIO CRUZ/LUSA

Pior que o pior cenário. O Governo espera que a economia portuguesa só cresça 1,2% este ano, menos um terço do que o estimado no Orçamento para 2016 e no Programa de Estabilidade. Este valor é pior que nos cenários mais negativos simulados pelo Governo tanto no orçamento deste ano, como na carta enviada em julho à Comissão Europeia na defesa contra as sanções. No próximo ano, a economia não deve crescer mais que 1,5%, menos que o verificado em 2015 (que foi de 1,6%).

Já se antecipava que a meta não fosse atingida, apesar de alguma resistência do ministro das Finanças: em agosto, em reação aos números do PIB do segundo trimestre — que davam sinais contrários às contas do Governo – Mário Centeno ainda dizia que na segunda metade do ano seria melhor.

Pode até ser melhor, mas não é certamente o que o Executivo estava à espera. De acordo com várias fontes contactadas pelo Observador, o Governo está a trabalhar o Orçamento do próximo ano, que deverá ser entregue para a semana, esperando que o crescimento económico este ano não fique acima de 1,2%. Este número fica abaixo de todos os valores apontados até agora pelo Governo e é metade daquilo que o PS, ainda na oposição, esperava que viesse a acontecer este ano.

Depois de muitas voltas, o Governo corta assim em um terço a previsão de crescimento que tinha no orçamento deste ano e que manteve no Programa de Estabilidade, as últimas previsões oficiais, onde ainda estava convencido que seria capaz de chegar ao final do ano com um crescimento de 1,8%.

Nos três cenários que simulou, dois deles no orçamento de 2016 e outro numa carta enviada à Comissão Europeia com a defesa de Portugal contra as sanções da União Europeia por não cumprir as metas do défice em 2015, o Governo nunca apontou para um crescimento menor que 1,4%, ou seja, era sempre mais positivo do que o esperado agora.

No orçamento, o Governo fez um exercício (habitual nestes documentos) para calcular o impacto na economia de um agravamento das taxas de juro em 1 ponto percentual ou considerando um aumento de 20% no preço do petróleo. Mesmo assim, em ambos os casos a economia apenas falhava a meta por duas décimas, ou seja, cresceria 1,6%.

Já no cenário alternativo apresentado pelo Governo à Comissão em julho deste ano o crescimento podia cair de 1,8% para 1,4%.

Os números do PIB dos dois primeiros trimestres não foram os mais encorajadores e a meta anual foi posta em causa, não apenas pela oposição – que colocou, como é habitual, a meta em causa desde o início -, mas também por vários economistas que apontavam para um crescimento pouco superior a 1%.

Ainda assim, e reconhecendo que a economia estava a ter um desempenho aquém do esperado, Mário Centeno reafirmou a sua crença nas previsões que assinou no início do ano. Num comentário por escrito enviado às redações, em reação à divulgação pelo INE dos dados do PIB do segundo trimestre, o gabinete do ministro das Finanças disse esperar uma aceleração da economia na segunda metade do ano, ancorado num desempenho muito positivo do mercado de trabalho

Para 2017, o Governo espera naturalmente uma aceleração do ritmo de crescimento, mas o cenário não é muito mais animador. Para já, a estimativa em cima da mesa ainda é de que a economia cresça 1,5% no próximo ano, mas este valor ainda pode ser alterado antes de o Orçamento do Estado ser fechado. Segundo fontes contactadas pelo Observador, o cabaz de medidas que vai integrar o orçamento só deverá ser fechado para a semana e algumas destas decisões devem ter impacto nas variáveis macroeconómicas.

Estamos a falar do caso do aumento das pensões, que a acontecer daria mais poder de compra aos pensionistas portugueses e por essa via poderia dar um impulso ao consumo (e ao PIB), mas também aos vários impostos indiretos que estão em cima da mesa, caso do imposto sobre o património, sobre os produtos com excessivas concentrações de ingredientes nocivos para a saúde como o açúcar e o sal. Só depois de fechadas as medidas e o seu desenho concreto é que será possível estimar o seu impacto no PIB, pelo que para já este valor não passa ainda de um valor de trabalho.

(Artigo atualizado às 09h59 com uma correção ao gráfico com as previsões das outras instituições. Uma versão anterior apontava que o crescimento apontado pelo Conselho das Finanças Públicas era de 1,7% em 2016 e 2017. Estes números eram de março. As previsões mais recentes são de setembro e estimam um crescimento de 1% este ano e de 1,3% no próximo, ambos mais pessimistas que o Governo).

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