O ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, afirmou quinta-feira que a nomeação de António Guterres para futuro secretário-geral das Nações Unidas o deixou muito feliz, afirmando que “é como se fosse um brasileiro”.

“Ficamos muito felizes. Ele entra preparadíssimo. Que eu tenha memória, sem diminuir outros, talvez seja quem mais entre preparado, como se tivesse trabalhado muito tempo para vir a ser secretário”, disse o chefe da diplomacia do Brasil, em declarações aos jornalistas em Brasília.

José Serra destacou a longa experiência política de António Guterres e a sua habilidade diplomática como antigo Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), sublinhando que o antigo primeiro-ministro português tem uma proximidade “muito grande” com o Brasil.

“Eu escrevi-lhe uma carta pessoal até, afora declarações públicas, congratulando-o. Achei uma solução extraordinária. Para o mundo de hoje, é a pessoa adequada para comandar a ONU. Ele conhece questões do mundo e da organização e sabe como lidar com grandes potências. É uma pessoa que terá um papel importante no mundo na próxima década”, frisou.

Questionado pelos jornalistas sobre os ganhos que o Brasil pode tirar desta nomeação, como as negociações para ter um assento no Conselho de Segurança da ONU, José Serra sugeriu que a escolha de António Guterres pode trazer benefícios.

“Vamos ter um quase brasileiro lá. A proximidade de diálogo aumentará naturalmente”, referiu.

O ministro das Relações Exteriores mencionou ainda que António Guterres “foi escolhido dentro do processo mais inclusivo e democrático que já houve”, e que “é um homem de personalidade forte”.

Para José Serra, o problema dos refugiados na Europa será um dos temas mais importantes durante o mandato de António Guterres.

O ministro falava após uma reunião no Palácio do Planalto, com o Presidente da República, Michel Temer, e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, José Serra destacou que António Guterres tem “qualificações profissionais e estatura política incontestáveis para liderar as Nações Unidas no enfrentamento dos múltiplos desafios globais, na condução da necessária reforma da Organização, inclusive do seu Conselho de Segurança”.

Na nota, o ministro congratulou também o povo e o governo de Portugal e manifestou a disposição do Brasil para “cooperar plenamente com os trabalhos do próximo secretário-geral das Nações Unidas”.

O Conselho de Segurança da ONU escolheu quinta-feira por unanimidade e aclamação António Guterres como secretário-geral da organização.