O presidente da Confederação Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) considera que a relação entre Moçambique e a China é “inquebrável” apesar do “efeito devastador” que o conflito armado provoca na imagem externa.

“Há uma relação inquebrável entre os dois Estados, uma relação forte, boa e histórica, que já vem dos tempos da luta pela libertação e que cresce cada vez mais”, disse Salimo Abdula em entrevista à Lusa a propósito de mais uma edição do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, conhecido como Fórum Macau.

“A China é um dos parceiros mais importantes de Moçambique e o país tem estado a investir em vários setores, nomeadamente nas infraestruturas, agricultura, energia e outros”, acrescentou o empresário.

Para o presidente da Intelec Holding, que detém participações em várias grandes empresas moçambicanas, a recente crise da dívida e a desconfiança internacional sobre as contas públicas de Moçambique não teve impacto nas relações económicas e empresariais entre os dois países.

“Continuam firmes, não sofreu nenhum abalo, há delegações políticas de um país para o outro, Moçambique apontou um embaixador de grande referência, um antigo primeiro-ministro, e isso é um conjunto de sinais de uma relação forte, inquebrável”, salientou.

Questionado sobre a importância da crise da dívida e do abrandamento da economia e da inflação galopante, Salimo Abdula reconheceu que o país passa por um momento complicado, mas garantiu que se mantém otimista sobre o futuro e disse até que este “é o melhor momento para investir” em Moçambique.

“Moçambique passa por momentos atípicos num contexto regional de abrandamento do crescimento económico na África Austral, mas para além disto o país tem questões internas sensíveis; o conflito político-militar é, acima de tudo, o que mais afeta a imagem externa de Moçambique porque os novos investidores que continuam a olhar para o país como um ‘El Dorado’, um país de futuro, pararam um pouco à espera de um momento mais estável”, disse o antigo deputado moçambicano.

O reatamento do diálogo “entre o Governo e a oposição guerrilheira” é uma prova de que o conflito deverá terminar brevemente, disse o empresário, vincando que “quem está em Moçambique não sente a guerra, não há guerra no seu dia a dia, são ataques isolados numa zona muito bem identificada, só que o efeito psicológico disto é devastador, principalmente para quem está de fora e pensa que o país está a incendiar-se”.

Assim, admite, “quem não conhece o país e pensa em investir fica em ‘stand-by'”, mas esse é um erro, argumenta, salienta, considerando que “este é o melhor momento para investir” no país.

“Quando esta fase passar, vai demorar décadas até haver um momento tão bom para investir como agora; Moçambique chegou a ter, no setor imobiliário, uma especulação tão grande que um metro quadrado numa boa zona era vendido a 4 mil dólares, ao nível de Nova Iorque, e agora compra-se por mil ou 1500 dólares”, exemplificou Salimo Abdula.

“Este é um momento de filtragem”, vincou, concluindo que “aqueles empresários que estão lá e que se aguentarem nesta fase vão ser os detentores de uma grande fatia do negócio do futuro, e os que estão lá com um pé dentro e outro fora e se assustarem, vai-lhes custar muito reentrar no mercado”.

“Pior do que nós já passámos nos anos 80 não há, isto para nós nem é um ciclone, é um ventinho”, ironizou.

A conferência ministerial do Fórum Macau vai realizar-se nos próximos dias 11 e 12 de outubro, anunciou o governo de Macau.