Donald Trump teve a pior semana da sua corrida à Casa Branca. Um vídeo com 11 anos, em que o milionário usa linguagem ofensiva para se referir a mulheres, levou vários republicanos a pedir o afastamento de Trump. A própria mulher do candidato republicano admitiuter-se sentido “ofendida” com as declarações do marido, mas acabou a pedir o perdão dos eleitores.

Para tentar recuperar terreno, Donald Trump chegou este domingo ao debate com Hillary Clinton — o segundo da campanha — na companhia de quatro mulheres: Paula Jones, Kathleen Willey, Kathy Shelton e Juanita Broaddrick.

Estas quatro mulheres valentes pediram-me para estar aqui e é uma honra ajudá-las”, disse o magnata do imobiliário norte-americano, numa provocação à adversária do Partido Democrata.

Jones, Willey, Shelton e Broaddrick alegam ter sido abusadas pelo ex-Presidente, antes de o democrata ter chegado à presidência e mesmo durante o mandato do marido de Hillary. “Bill Clinton violou-me e Hillary Clinton ameaçou-me”, jurou Juanita Broaddrick. Poucos metros ao lado das três primeiras mulheres, também sentados entre a assistência do debate entre os dois candidatos à Casa Branca, estavam Bill Clinton e a filha, Chelsea.

Quem são as aliadas de Trump contra os Clinton?

Juanita Broaddrick, enfermeira, garante ter sido violada ainda em 1978. A acusação foi conhecida 20 anos depois, já na reta final da administração Clinton. O advogado do então presidente norte-americano negou as acusações. O então presidente dos Estados Unidos não fez comentários sobre o caso.

Numa entrevista à estação de televisão NBC, Broaddrick contou que violação teria ocorrido durante a campanha de Clinton para governador do estado do Arkansas. Depois de uma visita do candidato ao lar de idosos que a enfermeira geria, Broaddrick decidiu alistar-se como voluntária na campanha democrata. Clinton propôs-lhe um encontro no café do hotel onde estava alojado e, na versão da vítima, subiram ao quarto para evitar a atenção da imprensa.

Foi já no quarto que Clinton terá forçado um beijo. Broaddrick ter-se-á negado, empurrado o candidato a governador. Clinton insistiu, acabando por alegadamente violar a enfermeira. Broaddrick contou a uma amiga que trabalhava no hotel e a outras três pessoas, mas o episódio não a impediu de, três semanas mais tarde, participar numa ação de campanha que contava com a presença do candidato democrata. Bill Clinton terá mantido a distância, mas Hillary ter-se-á dirigida à mulher: “Só quero que saibas o muito que eu e o Bill gostamos de ti e do que fazes por ele. Percebes? Tudo o que fazes”.

Paula Jones, 40 anos, recebeu 850 mil dólares de Clinton, por um alegado abuso sexual. Em 1999, o Senado norte-americano deixou cair o caso por falta de provas, mas isso não impediu que o então Presidente norte-americano chegasse a acordo com Jones.

O caso terá acontecido em maio de 1991, quando Clinton já era governador do Arkansas. Bill Clinton seguiu Paula Jones até sua casa, onde terá feito propostas indecentes e abusado da vítima. O caso só foi conhecido em 1994, numa entrevista à revista American Spectator.

Dois anos depois, em 1993, novo episódio. No estúdio privado da Casa Branca, o Presidente norte-americano terá abraçado Kathleen Willey com força, beijou a ajudante voluntária na boca, agarrou um peito e obrigou-a a tocar-lhe nos genitais. O caso foi conhecido em 1998, numa entrevista de Willey ao programa “60 minutos”.

Mais uma vez, o caso carecia de provas que levassem a uma acusação. Clinton e Willey eram as únicas testemunhas diretas do episódio e os relatos da situação eram díspares.

Kathy Shelton, com 54 anos, aponta as acusações a Hillary Clinton. A agora candidata democrata à Casa Branca terá ajudado um agressor sexual de Shelton (a mulher foi violada quando tinha 12 anos), enquanto advogada, fazendo recair a culpa dessa violação sobre ela mesma.

Anos mais tarde, em entrevista ao Washington Free Beacon, Hillary disse que “foi um caso fascinante”. “Este indivíduo foi acusado de violar uma menina de 12 anos. Naturalmente, ele afirmou que não o fez e tudo isso. Passou um detetor de mentiras, fi-lo passar pelo polígrafo e passou, recuperando a minha fé nos polígrafos”, disse Hillary.

“Devo ser a primeira vítima feminina de Hillary Clinton. Ela arruinou a minha vida; defendeu o meu violador e culpou-me. Eu tinha 12 anos. E depois ela riu-se de mim”, escreveu Shelton na sua conta de Twitter. O alegado autor da violação acabou por passar 10 meses na prisão, depois de Hillary ter conseguido reduzir a acusação para o crime de “contactos ilegais a menores de 14 anos”.

As quatro mulheres foram um trunfo puxado por Donald Trump no segundo frente-a-frente na corrida à Casa Branca. A eleição do próximo Presidente dos Estados Unidos está marcada para o dia 8 de novembro.