Roberto Fedeli, responsável técnico máximo pelo Grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA), tem como uma das suas missões materializar um Maserati de propulsão exclusivamente eléctrica. Em entrevista à Car and Driver, o CTO da FCA adiantou que, para o efeito, a marca do Tridente não seguirá as pisadas de qualquer seu concorrente, e que o modelo em questão não será conhecido antes de 2019, na melhor das hipóteses.

Também é certo que esse Maserati eléctrico será um modelo de reduzido volume e elevada exclusividade, o que desde logo o isenta de poder ser considerado como um rival das propostas da Tesla. Aliás, por alturas do seu lançamento, é mais do que provável de que outras marcas de prestígio (como Audi, BMW, Infiniti, Jaguar, Lexus, Mercedes e Volvo) já tenham disponíveis no mercado algumas propostas deste género, o que mereceu de Fedeli o seguinte comentário:

Seremos os últimos, e teremos de propor ao mercado algo diferente. Muito diferente.”

A este propósito, o antigo responsável técnico da Ferrari acrescentou: “Um concorrente da Tesla, provavelmente, não será uma boa ideia. Não penso que o Tesla seja o melhor produto do mercado, mas o facto é que eles estão a produzir 500 mil automóveis/ano. A execução e a qualidade dos seus produtos são as mesmas de um modelo alemão dos anos 1970. As suas soluções não são as melhores.”

Fedeli abordou ainda a questão das sensações que um Maserati eléctrico deve proporcionar, insistindo que os actuais automóveis eléctricos são demasiados pesados para poderem ser agradáveis de conduzir: “Aceleração forte durante três segundos, no máximo, e é toda a emoção que neles podemos encontrar. Depois disso, não há mais nada.” Por isso, há que resolver o problema do peso das baterias.

Num automóvel eléctrico, mais do que qualquer outra coisa, sentimos o elevado peso. A potência e o binário são interessantes por alguns segundos, mas depois o peso não nos permite desfrutar do automóvel numa estrada normal. Algo que não é consistente com a marca que representamos e que necessita de ser resolvido.”

Outras das suas preocupações será encontrar algo que possa substituir a característica sonoridade dos motores dos actuais Maserati, um dos seus atributos fundamentais: “O som não é a característica mais importante dos automóveis eléctricos. Teremos que conferir ao nosso modelo eléctrico o carácter Maserati, sem podermos dispor de um dos nossos mais importantes parâmetros.”

A ver vamos o que o renomado construtor proporá aos seus indefectíveis clientes no domínio dos eléctricos. E, se é certo que nesta área muito pode acontecer em três ou quatro anos, também não é menos verdade que não tem sido nada fácil encontrar uma alternativa para os iões de lítio no que toca à tecnologia das baterias.