As associações que representam os taxistas vão cancelar a concentração de profissionais do setor prevista para a próxima segunda-feira no Palácio de Belém, em Lisboa, por temerem confrontos entre motoristas e polícias. Segundo fonte do setor adiantou ao Observador, os responsáveis pela Federação do Táxi e pela Antral vão enviar esta quinta-feira uma carta ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a pedir que os receba pessoalmente.

A fonte contactada pelo Observador diz que os taxistas vão ainda ser informados desta decisão. “Tivemos informações de que podia haver problemas e não queremos condicionar o Presidente da República na sua decisão”, disse a mesma fonte. Assim, os responsáveis decidiram redigir uma carta onde pedem uma audiência pessoal com Marcelo Rebelo de Sousa, de preferência até sexta-feira.

Na noite de quarta-feira o o responsável da ANTRAL, Florêncio Almeida, ainda disse à agência Lusa que o protesto de taxistas de segunda-feira se mantinha — mantendo o anúncio feito segunda-feira passada durante a manifestação de taxistas na rotunda do Relógio, em Lisboa, de um novo protesto na próxima segunda-feira na Presidência da República, bem como concentrações em frente às câmaras do Porto e de Faro.

“Vamos reunir amanhã às 10h30. Sabemos que o Presidente da República não vai estar em Portugal na segunda-feira”, disse Florêncio Almeida, salientando que querem reunir-se com Marcelo Rebelo de Sousa.

Afinal, Florêncio de Almeida acabou por concordar com a Federação Portuguesa do Táxi e cancelar a manifestação. Esta manhã de quinta-feira chegou o comunicado da Federação Portuguesa do Táxi:

“A Federação Portuguesa do Táxi faz saber que cancela a iniciativa agendada para segunda-feira em Belém. A FPT entende que deve aguardar pela decisão final do governo sobre a regulação dos veículos prestadores de serviço às plataformas tecnológicas. Por entender prematuro, A FPT aguarda vigilante, garantido uma reação adequada à decisão politica que venha a ser tomada”, lê-se.

Recorde-se que a manifestação marcada para a última segunda-feira acabou por não chegar a São Bento, como previsto, e ficou junto ao aeroporto, onde alguns taxistas acabaram por insurgir-se contra a intervenção da PSP. Quatro taxistas foram mesmo detidos. A própria Federação Portuguesa do Táxi condenou, em comunicado, a atuação de alguns profissionais.

Os motoristas queixam-se do decreto-lei que regula o transporte de passageiros por carros descaracterizados, como o caso das plataformas Uber e Cabify. Na última manifestação estavam previstos seis mil táxis que iriam em marcha lenta do Parque das Nações até São Bento, passando pelo centro de Lisboa. Mas os taxistas acabaram por ficar junto ao aeroporto, enquanto o ministro do Ambiente recebia os representantes do setor.

Depois da reunião, os taxistas não conseguiram que todas as suas reivindicações fossem aceites e, por isso, marcaram um novo protesto para esta segunda-feira. Prometiam concentrar-se sem carros à porta da residência oficial do Presidente da República. Mas informações de que este protesto podia ser mais agressivo que o anterior terão demovido a organização, que irá comunicar essa decisão aos taxistas em breve.

Notícia atualizada quinta-feira pelas 12h27.

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