Lynsey Addario passa a vida a fotografar zonas de guerra, o que já lhe valeu um Pulitzer, em 2009, e o susto da sua vida quando foi feita refém na Líbia, em 2011. Agora as suas memórias chegam a Hollywood, interpretadas por Jennifer Lawrence.

Addario reuniu as memórias do seu trabalho no livro “It’s What I Do: A Photographer’s Life of Love and War“, que a Warner Brothers Studio pretende adaptar para o grande ecrã, ainda sem data de estreia marcada, com Steven Spielberg como realizador e a atriz mais bem paga do mundo, Jennifer Lawrence, como protagonista.

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Seria um eufemismo dizer que Addario tem uma carreira cheia de aventuras. Ter sido feita refém na Líbia, em 2011, com outros seus colegas do The New York Times, foi apenas uma das aterrorizantes situações por que passou.

No Afeganistão, no rescaldo do 11 de setembro, esteve no meio de uma multidão, violenta, anti-americana:

Eu tinha tantas mãos no meu corpo que chegou um certo ponto em que perdi o controlo”, recorda. “Tinha uma daquelas lentes gigantes da Nikon. Virei-me para trás e bati com a lente na cabeça de quem estava perto de mim. Tudo o que me lembro é das pessoas a revirar os olhos… E comecei a correr”, explica à CNN.

A fotojornalista não costuma usar o seu equipamento como arma. Em alguns casos, ela tem conseguido entrar em vários países de uma forma que os seus colegas homens não conseguem.

“Eu posso movimentar-me passando despercebida em muitos desses lugares”, diz ela. “Uma das grandes vantagens de ser jornalista mulher é que as pessoas, muitas vezes, não sabem como reagir. Eu acho que há muitos países que são mais conservadores. Eu sou um terceiro género estranho, uma pessoa assexuada.

Consigo misturar-me com os homens. Mas eu também consigo misturar-me com as mulheres. E isso é único”, explica.

No seu livro, Lynsey Addario explica que:

Enquanto correspondente de guerra e mãe, tive de aprender a viver em duas diferentes realidades… Eu escolhi viver a presenciar a guerra, para observar o pior das pessoas mas para relembrar a beleza”, segundo o Los Angeles Times.

O Papel do Jornalista na Guerra

É uma posição através da qual conseguiu, por exemplo, relacionar-se com as mulheres do Waziristão o que permitiu o trabalho “Veiled Rebellion“, finalista do prémio American Society of Magazine Editors (ASME) na categoria de News and Documentary Photography, em 2011.

No mesmo ano, foi nomeada para “Perils of Pregnancy” (“Perigos da Gravidez”), da Time Magazine, com um trabalho onde seguiu uma mulher na Serra Leoa que deu à luz dois gémeos mas que morreu durante o parto.

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Contudo, Addario reflete que há vezes em que a câmara é impotente para os eventos que testemunha: “Nesse caso eu não tenho as ferramentas para fazer nada senão fotografar. E isso é assustador”.

Apesar da sua experiência na Líbia, e da morte de dois amigos no país logo após a sua libertação, Addario não se deixa abalar.

Eu ainda faço o que faço pelas mesmas razões”, disse ela. “Eu penso que é realmente importante para um jornalista estar no terreno e dar o seu testemunho.”

A fotojornalista garante que “existem muitos rumores sobre o que se passa nas zonas de guerra…” e, nesse aspeto, o jornalismo é fundamental.