Dois amigos resolveram juntar os conhecimentos de anos de trabalho e criar um negócio. A história não é original, mas o caso da Oceanfolio merece destaque. Em 2010, quando Joaquim Ferreira e Gonçalo Rodrigues fundaram a empresa, um trazia a experiência comercial, o outro era engenheiro químico. Hoje, os dois sócios conseguiram criar uma marca relevante num setor muito competitivo: o comércio de produtos de higiene e limpeza para unidades hoteleiras, lares ou instalações hospitalares.

Segundo Joaquim, “foi uma aposta acertada. A especialização máxima nestes espaços permite soluções à medida para cada cliente. De lavandarias industriais, com 16 toneladas de roupa por dia, às fraldas para idosos, o core business engloba todo o tipo de oferta neste campo.”

Mas há muita competição neste nicho de negócio? A resposta é sim. “Concorremos a uma feira nacional do setor e, entre os selecionados, éramos nós e duas multinacionais. Quase como um David no meio de dois Golias”, exemplifica o gestor.

Entre Vila Nova da Barquinha e Vilamoura

Para lá das valências, a localização do negócio também se ficou a dever aos dois sócios. “O Gonçalo é algarvio e eu sou da zona de Torres Novas. Assim, temos a sede em Vila Nova da Barquinha, mas trabalhamos muito com clientes no sul. O Gonçalo está em Vilamoura e eu mantenho-me na sede”, explica Joaquim Ferreira.

Essa dispersão geográfica permite captar mais clientes e alargar a atividade. Para lá destas áreas, a empresa já opera em Lisboa desde o início deste ano e tem um armazém no Porto, direcionado para as lavandarias industriais do norte que recorrem aos serviços da Oceanfolio.

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“Como já trabalhávamos com produtos químicos há muito, começámos por procurar uma marca para revenda. Conseguimos uma parceria com uma marca espanhola, que muitos clientes já conheciam, e estávamos lançados”, explica o empresário. A partir daqui, a flexibilidade na oferta, de acordo com as necessidades e pedidos dos clientes, alavancou o negócio. “Fazemos todos os ensaios e testes necessários. Adaptamos o produto e as quantidades, quer seja para a lavandaria de um hotel de 5 estrelas ou para o WC de um lar da 3ª idade”, diz Joaquim Ferreira.

O próprio nome da empresa já foi escolhido com essa adaptabilidade em mente. “Não queríamos nomes clínicos”, resume. “Nem nada de transcendente. A ideia era termos um nome que enquadrasse a empresa e que permitisse crescer, diversificar, sem limitar a atividade por causa de um rótulo muito direto.”

Pagar pouco ao longo de mais tempo

“Os nossos clientes têm espaços com características muito semelhantes, pelo menos a nível das necessidades de higiene e limpeza. Entre um lar ou um hotel, ambos precisam de produtos para a cozinha, a casa de banho… O que oferecemos de diferente são as programações”, explica Joaquim Ferreira.

É aqui que está o fator distintivo. Os produtos sanitários com doseamento automático, os túneis de lavagem, os detergentes ou outros produtos mais específicos, como fraldas e cremes, fazem parte do portefólio crescente. “Assim, garantimos maior eficiência e os nossos clientes têm custos mais controlados.” Por outro lado, segundo Joaquim, é essa eficiência aliada à estratégia de vendas que conquista a fidelização dos clientes. “Preferimos vender de acordo com o que precisam. Assim, o cliente paga menos mas ao longo de muito mais tempo”, diz.

Ainda sem fábrica, mas garantindo todo o apoio técnico, o crescimento sustentado da empresa passa também pela equipa. “Temos pessoas fantásticas connosco. No total, somos 12 pessoas a trabalhar e a acreditar no projeto”, exalta Joaquim Ferreira. A mais-valia é “a proximidade”. “Não somos apenas um número, mas temos um rosto, um nome que os clientes conhecem e em que confiam. Temos um produto competitivo, mas também temos um serviço de qualidade… O meu telemóvel está sempre ligado”, explica o empresário.

Forte concorrência e forte ambição

Os números comprovam essa confiança. Em 3 anos, registaram um crescimento superior a 20% no volume de negócio e já faturam mais de um milhão de euros. As certificações e os prémios já fazem parte do palmarés, mesmo num setor em que as multinacionais têm uma posição dominante.

No entanto, há ambições para mais. “Em 2017, queremos crescer mais 20% e seguir a nossa estratégia. Todos os anos apostamos em mais 10% de vendas de produtos existentes”, diz Joaquim Ferreira. Em 2015, foram as fraldas, uma necessidade dos lares. Para 2017, já se desvenda uma parceria com uma marca alemã de aspiradores industriais.

Os planos são simples. “Vamos apostar nas máquinas e nos acessórios. E queremos continuar a crescer sem pressas. Consolidar [a atividade em] Lisboa é uma prioridade e vamos alargando a área de distribuição”, explica.