Educação

Manifestação fecha Liceu Pedro Nunes. “Não há funcionários, se precisamos de alguma coisa não há ninguém”

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Funcionários da escola lisboeta exigem mais pessoal, numa carta ao Ministério da Educação, e os alunos reconhecem que os assistentes não chegam para o trabalho da escola.

Os funcionários da escola estão "confrontados desde há vários anos com a crescente falta de pessoal"

Filipe Amorim / Global Imagens

A Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, está fechada esta terça-feira, devido a uma greve do pessoal não docente. Os funcionários da escola começaram a concentrar-se às 8h00, à porta da emblemática escola lisboeta, e cerca de uma hora e meia depois saíram, em direção ao Ministério da Educação, para entregar uma carta com exigências à secretária de Estado da Educação. “Queremos mais pessoal, basicamente”, conta ao Observador Lúcia Carreira, uma das funcionárias em protesto. Dos 16 assistentes técnicos e operacionais do estabelecimento, 15 estavam à porta da escola em manifestação. “Só está lá um dentro. A escola está a funcionar só com um funcionário”, alertam alguns dos manifestantes.

Para Lúcia Carreira, os motivos para esta greve são claros. “Não há funcionários. Desde 2010, altura em que houve aqui remodelações, já se reformaram dez pessoas, e só entrou uma”, revela a funcionária. E os problemas fazem-se sentir no funcionamento da escola. “O refeitório não funciona em condições, temos duas funcionárias a servir 350 almoços por dia”, denuncia Lúcia Carreira, acrescentando que “em cada bloco de aulas, que têm cada um três ou quatro andares, há apenas um funcionário. Às vezes os alunos querem saber alguma coisa e andam à procura de um funcionário, e não encontram ninguém”.

Sentados num gradeamento à porta da escola, Rafael, Vasco, Miguel, Guilherme e Mateus conversam sobre o dia sem aulas, e concordam com os motivos da paralisação. “Nos blocos das salas não há funcionários, se precisamos de alguma coisa não há ninguém. No ginásio também só há uma funcionária”, explicam. Mas o problema que mais os afeta é a portaria. “Quando saímos da escola, cada um tem uma autorização diferente. Há uns que podem sair, outros que não podem, depende das horas. Mas como só há uma funcionária a controlar, ela fecha a porta e toda a gente sai à mesma hora”, sublinham os estudantes, que, sem aulas, se preparavam para ir para casa.

O diretor da escola, Pedro Pimentel, não apareceu na rua. Um polícia, que controlava a entrada da escola, ainda tentou que o responsável viesse ao exterior para se dirigir aos alunos, que se acumulavam à porta, e aos jornalistas, mas a resposta foi perentória. “Não vem”. Os manifestantes acusavam-no de estar “escondido”. Lúcia Carreira explica que os funcionários ainda tentaram pedir apoio à direção da escola para o protesto, mas não chegou resposta. “Ignoraram-nos. Não dar resposta é ignorar. Colocaram cá uma pessoa ontem, sem nos dizer nada e sem avisar”, lamenta.

Por volta das 9h15, começam a ouvir-se gritos. “Não há aulas, fechou a escola”. Dezenas de estudantes saem do edifício e os que estavam à porta também abandonam o local. É nessa altura que Rafael Louro, do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública, pede aos manifestantes que se juntem todos, para ler em voz alta a moção que vão apresentar no Ministério da Educação. “Isto foi uma vitória. A gente já conseguiu, antes deste dia, que metessem aqui dois trabalhadores, pelo menos metade do objetivo está completo”, começa por dizer aos funcionários. “A seguir vamos ao Ministério da Educação. Não é nenhuma manifestação, vamos lá pacificamente”, sublinha o dirigente sindical.

No texto dirigido ao Ministério, lê-se que os funcionários da escola estão “confrontados desde há vários anos com a crescente falta de pessoal”, e que “esta é uma situação que chegou ao limite do tolerável”, que coloca em risco “a saúde física e psicológica” dos trabalhadores. Os funcionários consideram que “o número de trabalhadores estabelecido por lei é manifestamente insuficiente para as necessidades da escola”, e prometem levar à secretária de Estado “um documento síntese da realidade vivida no dia-a-dia da escola”.

O Ministério já prometeu a contratação de 300 assistentes técnicos e operacionais para as escolas portuguesas, algo que Rafael Louro considera “uma gota de água” para as necessidades das escolas. Ao Observador, fonte oficial do Ministério da Educação assegura que “vão ser supridas as necessidades mais prementes com este primeiro reforço de assistentes operacionais, de acordo com o levantamento de prioridades identificadas pelos serviços”. Relativamente à Escola Secundária Pedro Nunes, o Ministério sublinha que “a contratação dos 300 assistentes terá como objetivo, até por uma questão de justiça, resolver situações mais urgentes em escolas onde o rácio pode estar comprometido”, já que nesta escola lisboeta “o rácio de funcionários está assegurado”.

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