O pólo original da Lacoste custa 70 euros. O falso, 10. Os óculos de sol da Empori Armani valem 135€, os falsos 10. As malas Louis Vuitton são 980€, as falsas 50. Na loja da Puma, há ténis de 100€, os mesmos na feira estão a 20€. O Benfica da liga portuguesa é líder isolado, com três pontos de avanço, e antes desta quarta-feira é o último da Liga dos Campeões, com um só ponto em seis possíveis. Passa-se aqui alguma coisa ou nem por isso?

A viagem à Ucrânia afasta categoricamente a possibilidade de um caso bicéfalo Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Cabe a Grimaldo a dar o toque de autoridade com uma roleta sensacional sobre dois adversários, junto à linha lateral, aos 5′. É o arranque para uma exibição segura e regular, marcada por dois golos, um em cada parte. O primeiro por Salvio, de penálti, a castigar falta clara de Antunes sobre Gonçalo Guedes, na sequência de um canto marcado por Pizzi (9′). O segundo por Cervi, numa jogada a três entre Nélson Semedo, Pizzi (sempre ele, em grande) e Salvio. O argentino ganha um ressalto e oferece o 2-0 ao compatriota. O remate de Cervi embate no desaparecido em combate Mitroglou e volta aos seus pés. À segunda, Cervi acerta mesmo na baliza. Assim, sem espinhas (55′).

Neste parêntesis temporal, o Dínamo dá uma pobre imagem e nem cócegas faz. Falta-lhe tudo, desde criatividade a energia. Iarmolenko é uma sombra de si próprio, Derlis vagabundeia sem acertar uma vez com a baliza e Júnior Moraes anda por ali, pobre coitado, sem a assistência devida. A equipa de Rebrov só se empertiga depois do 2-0 e, aí sim, obriga Ederson a brilhar intensamente. O brasileiro do Benfica adia umas quantas vezes o golo, sobretudo aos 67′, com uma dupla defesa a Iarmolenko e Sydorchuk. Quando não é o guarda-redes em acção, há quem o ajude sem cerimónias. Como Grimaldo, aos 87′, num corte meio sem querer a roubar o golo a Iarmolenko.

O Benfica sente o encosto do Dínamo no aparente controlo das operações do 2-0. Vale-lhe Ederson, sobretudo. Se bem que a linha defensiva até se porte com dignidade, sobretudo os laterais. Se Grimaldo é o homem da roleta, Nélson Semedo é o varre-tudo. Não há uma bola, nem uma mesmo, que escape ao homem. É uma eficácia ilimitada. Tal como Pizzi, o homem do leme. De regresso ao onze, o 21 dá água pela barba a quem lhe aparece pela frente. Mais à frente, Gonçalo Guedes corre mais que todos os outros e Salvio é a classe em pessoa. Quase tudo lhes sai bem e o Benfica ganha fácil por 2-0 para subir ao terceiro lugar do grupo, a um ponto do Besiktas e dois do Nápoles.

Estádio Olímpico, em Kiev
Árbitro: Fernández Borbálan (Espanha)
DÍNAMO KIEV: Rudko; Danilo, Khacheridi, Vida e Antunes; Yarmolenko, Sydorchuk (Gladkiy, 81′), Korzun, Fedorchuk (Buyalskyy, 57′) e Derlis (Tsygankov, 71′); Júnior Moraes
Treinador: Serguei Rebrov (ucraniano)
BENFICA: Ederson; Nelson Semedo, Luisão, Lindelof e Grimaldo; Fejsa; Salvio, Pizzi e Cervi (Celis, 83′); Gonçalo Guedes (Eliseu, 90′) e Mitroglou (Raúl Jiménez, 70′).
Treinador: Rui Vitória (português)
Marcador: 0-1, Salvio (9, gp); 0-2, Cervi (55′)