Cerca de 200 jovens encapuçados barraram a entrada da Faculdade de Direito da Universidade de Autónoma de Madrid onde ia decorrer esta quarta-feira um colóquio com o ex-presidente espanhol e antigo líder do PSOE Felipe González. A violência dos protestos acabou por levar à suspensão do evento, intitulado “Sociedade Civil, Espanha e Europa. O Futuro não é o que era”, onde ia também participar o jornalista e editor do El País Juan Luis Cebrián.

De acordo com o El País, os estudantes forçaram a entrada na sala onde decorria o colóquio, impedindo que a assistência pudesse sair. Do lado de dentro, foram várias as pessoas que tentaram impedir a entrada dos manifestantes, procurando manter a porta fechada.

Antonio Rovira, professor catedrático da faculdade, admitiu ao El Mundo que a instituição de ensino tinha conhecimento do protesto mas que nunca pensou que se tratasse de algo violento. À porta da faculdade, os estudantes acusaram González de “estar manchado de sangue” e seguraram bandeias de apoio aos presos do grupo separatista basco, ETA.

A manifestação foi convocada pela chamada Federação Estudantil Libertária (FEL) — que se apresenta no Twitter como uma associação que defende uma “educação livre” e uma “sociedade sem classes” — através das redes sociais e da distribuição de panfletos que anunciavam que González e Cebrián não eram “bem-vindos”, acusando-os de usarem “o seu poder e influência política para aumentar as desigualdades”.

Apelando para que os estudantes se encontrassem na faculdade, a FEL acusou Felipe González de ser “amigo de ditadores, como o Rei Mohammed VI de Marrocos, a família Saudí e políticos de extrema-direita latino-americanos que patrocinam a paramilitarização”. O panfleto acusava ainda o ex-presidente de, “mais recentemente”, ter participado “num golpe do PSOE que depôs Pedro Sanchéz do cargo de secretário-geral com o único objetivo de permitir um governo do Partido Popular”.

Tanto González como Cebrián têm sido acusados pelo Podemos, nomeadamente pelo seu líder, Pablo Iglesias, de fazerem pressão para que o Governo seja entregue a Mariano Rajoy.