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Marte

“Europe, we have a problem”. A ExoMars está perdida?

A aterragem da ExoMars correu bem até ao momento em que a plataforma se soltou do paraquedas. Cientistas sublinham o sucesso da entrada em órbita da ExoMars, mas ainda não têm dados completos.

ESA-ATG medialab

As coisas estavam a correr bem. A missão ExoMars 2016, a primeira fase de um projeto que leva os europeus pela primeira vez a Marte, contornou o planeta vermelho e durante alguns minutos deixou de dar sinais de vida. As respirações ficaram em suspenso na Agência Espacial Europeia (ESA) e na Roscosmos, as duas responsáveis pela missão. Mas depois a linha verde nos monitores voltou a levantar-se, já passavam das 17h30, e os investigadores puderam respirar de alívio: a missão ExoMars havia chegado a Marte e feito a turbulenta viagem de sete minutos rasgando a conturbada atmosfera marciana. Às 20h30 saberiam se tudo havia corrido como planeado. Aí é que chegaram os problemas.

A missão ExoMars tem como objetivo descobrir se alguma vez houve vida em Marte que justificasse os misteriosos níveis de metano, um produto típico do metabolismo dos seres vivos, na atmosfera do planeta vermelho. Para isso enviou dois instrumentos: a sonda Trace Gas Orbiter (TGO), que deve manter-se em órbita; e a plataforma Schiaparelli, que estudará um eventual exobiológico em Marte. A queda desta última no solo marciano devia ser suave: o aparelho entraria na atmosfera a 21.000 km/h, mas a velocidade iria diminuir progressivamente. Depois de se separar do TGO, a Schiaparelli iria usar os propulsores a 1,1 km de altitude e depois entrar em queda livre a dois metros do solo e a uma velocidade de 10 km/h.

esa

Mas os responsáveis pela missão ExoMars temem que algo tenha corrido mal nesta operação e que a Schiaparelli não tenha chegado em segurança ao solo marciano. Ainda não há sinais concretos de que o aparelho não se destruiu durante a fase de queda livre. Os últimos dados enviados pela TGO confirmam que tudo correu bem ao entrar na atmosfera e durante as primeiras fase de amartagem. O escudo térmico funcionou e o paraquedas também se abriu no tempo correto. Mas não se sabe se “a nave se comportou como devia” a partir do momento em que o paraquedas se devia desprender do Schiaparelli. No entanto, a ESA pode confirmar que os propulsores foram disparados, mas durante menos tempo do que seria expectável, o que pode indicar um incêndio. É quase certo que chegámos a solo marciano, mas de lá ainda não recebemos qualquer transmissão.

A ESA e a Roscosmos investiram 1.300 milhões de euros neste projeto. A ExoMars 2016 serve também de teste para a viabilidade da segunda fase da missão, em 2020, que pretende levar um Rover de exploração para o planeta vizinho. Agora, a ESA só tenciona voltar a dar novidades na próxima semana, tempo em que fará contas à vida para entender quanto dinheiro vai precisar dos estados financiadores da agência para prosseguir com os seus planos.

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