A Noruega tornou-se o primeiro país do mundo a oferecer, de forma gratuita, o medicamento que se acredita reduzir em cerca de 90% o risco de infeção pelo VIH (vírus da imunodeficiência humana). O anúncio foi feito esta semana pelo ministro da Saúde norueguês, Bent Hoie, fazendo da Noruega o primeiro país a disponibilizar a profilaxia pré-exposição (PrEP), ou Truvada (nome comercial), a custo zero, depois de outros países como EUA, Canadá, África do Sul e França já terem o medicamento disponível para venda a grupos de risco.

O Truvada é um antirretroviral destinado a reduzir o risco de infeção em pessoas seronegativas que estão expostas ao VIH, como é o caso de profissionais do sexo que não conseguem impor o uso de preservativo aos clientes, ou até casos de médicos que se picam com uma agulha de um doente infetado, ou uma criança filha de mãe seropositiva. Segundo confirmou o Infarmed ao Observador em julho de 2014, quando a Organização Mundial de Saúde recomendou o uso generalizado de antirretrovirais deste género como medida preventiva entre grupos de risco, o Truvada já era usado nos Estados Unidos desde 2004 e foi aprovado na Europa em 2005. Inicialmente, contudo, o objetivo principal do medicamento era o tratamento de pessoas infetadas com VIH.

De acordo com a Business Insider, vários estudos provam que a profilaxia pré-exposição (PrEP) pode ser altamente bem-sucedida a prevenir a transmissão do vírus. Um dos estudos aponta mesmo para uma probabilidade de redução do risco de infeção entre 92 e 99%, dependendo das doses tomadas. O governo norueguês tinha vindo a tentar nos últimos dois anos incorporar o medicamento no Serviço Nacional de Saúde para levar de forma gratuita a melhor forma de prevenção àqueles que têm maior risco de contrair a doença, incluindo homossexuais e bissexuais.

“A profilaxia pré-exposição vai contribuir para reduzir a taxa de novas infeções na comunidade gay, uma vez que os homens homossexuais enfrentam um risco de infeção muito mais elevado do que a restante população”, afirmava Leif-Ove Hansen, presidente da VIH Noruega, em comunicado citado pela Business Insider.

Em 2015 aproximadamente 2.1 milhões de pessoas em todo o mundo foram infetadas pelo VIH, o que faz com que se acredite que o número global de infetados chega já aos 36.7 milhões de pessoas.

Em 2014, a OMS recomendou o uso do Truvada a homens que mantêm relações sexuais com outros homens, transgénero e profissionais do sexo, ressalvando que não se deve deixar de usar o preservativo. Também num casal serodiscordante — em que um se encontra infetado (seropositivo) e outro não (seronegativo) — o medicamento pode ser usado pelo elemento seronegativo para reduzir o risco de infeção.