O Estado Islâmico (EI) criou brinquedos com explosivos no seu interior para atingir crianças, sobretudo os filhos dos seus inimigos. Os explosivos são colocados no interior de bonecas, carros telecomandados e outro tipo de brinquedos. A estratégia tem como objetivo atingir, indiretamente, os inimigos, ferindo ou matando os seus filhos. Os brinquedos têm no seu interior material explosivo suficiente para desfigurar e mutilar quem brinque com eles.

O Iraque descobriu este tipo de bombas produzidas pelo EI no final do ano de 2015.

Um dos planos organizados pelo Estado Islâmico foi deixar bonecas na estrada onde se faz a peregrinação xiita de Arbain, entre as cidades de Bagdade e Kerballa. Esta estrada é uma das maiores e mais perigosas do mundo, e constantemente alvo de ataques terroristas. O objetivo foi atingir o maior número de crianças possível, que seguiam em peregrinação com as famílias.

Além de bonecas, os explosivos são também utilizados em carros telecomandados. Os carros são importados da Turquia há mais de um ano e, cada um, custa cerca de 18 euros. A inspiração dos terroristas do EI para a criação destes carros vem do jogo eletrónico Call of Duty, onde surgem vários cenários de guerra.

De acordo com o El Mundo, um médico espanhol que prestava auxílio perto de Alepo, cidade no norte da Síria, declarou que a frase que mais ouviu foi “o meu brinquedo magoou-me”. “Assim, o Estado Islâmico vai destruindo as vidas dos mais indefesos: com bonecas vestidas de cor de rosa, carros telecomandados e outros brinquedos infantis”, disse o médico.

Segundo o jornal espanhol, David S. Sorenson, afirma no seu livro, “Síria em ruínas: a dinâmica da guerra civil síria”, publicado recentemente, que esta “é a estratégia dos terroristas quando são derrotados”. O livro relata episódios do território de guerra e revela que os terroristas não só queimam hectares de terra, como decapitam os seus inimigos.

Contudo, o ISIS não é o primeiro a usar brinquedos armadilhados. A ETA, já os terá utilizado em 2001 para mutilar uma criança de dois anos e assassinar a sua avó, afirma o El Mundo.

Estas bombas já foram aplicadas também a um brinquedo parecido com uma “pokébola”, originária dos desenhos animados Pokémon.