O Governo prepara a abertura de candidaturas para programas na área da economia circular que permitem às empresas o acesso a cerca de 700 milhões de euros para aplicarem no aproveitamento dos recursos da cadeia de produção.

“Estão a ser lançados uma série de programas que mobilizam na área da economia circular, visando a melhor produção e melhor aproveitamento de todos os produtos da cadeia [produtiva]”, anunciou hoje o Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

O grosso das candidaturas a lançar integram-se no Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos — POSEUR, “um programa muito ambicioso”, cujas verbas, segundo o governante, “podem ir até aos 600 milhões de euros em diferentes programas para diferentes objetivos”.

Já no que respeita à eficiência energética, foram “lançados avisos para atribuição de fundos”, podendo as candidaturas atingir “100 milhões de euros”, adiantou Manuel Caldeira Cabral à margem da inauguração da primeira Unidade de Produção de Microalgas, um projeto que visa o sequestro e utilização do CO2 por microalgas, na Fábrica Cibra Pataias, em Alcobaça.

O projeto, que está a ser desenvolvido há cerca de uma década e que desde 2015 se alargou a parcerias com universidades e centros de saber, “produz microalgas para fins de inovação e desenvolvimento e também para fins comerciais”.

Na unidade, a maior da Europa, estão a ser criadas tecnologias “para a produção de microalgas em grande escala e para o estudo do impacto dessas microalgas na utilização do CO2 (dióxido de carbono) que provém dos gases de combustão resultantes da produção de cimento” do Grupo Secil, explicou o administrador, Salazar Leite.

O projeto, no qual a empresa já investiu 15 milhões de euros, tem em fase de demonstração um processo de produção que no futuro permitirá “potenciar a utilização do dióxido de carbono capturado pelas microalgas”, explicaram os responsáveis

Em fase de demonstração está também um processo de produção que integra vários tipos de sistemas com vista à otimização da produção das microalgas a uma escala cada vez maior e da produtividade destes organismos no meio de cultura, potenciando a utilização do CO2 por parte das microalgas.

Inclui ainda uma área dedicada à produção e comercialização das microalgas, utilizando CO2, para “mercados que as aproveitam como ingrediente sustentável, natural e rico em diversos compostos bioquímicos”, visando alargar o aproveitamento das microalgas na área energética bem como na da alimentação humana e animal.

Considerada pelo ministro como “um exemplo a seguir”, a unidade aplica o conceito da economia circular e segundo Salazar Leite trata-se de “uma fábrica de cimento que se pretende que consuma o mínimo possível de combustível, que emita o mínimo possível de dióxido de carbono”, reduzindo a sua pegada ecológica e tornando essa aposta “num fator de competitividade e um fator de geração de valor para o país”.

A unidade ocupa uma área de 1,2 hectares com uma capacidade instalada de 1300 metros cúbicos de cultura de microalgas, 90% das quais são exportadas para países como a Alemanha, França, Polónia e Itália e utilizadas, sobretudo, em suplementos alimentares e dietéticos.

A fábrica Cibra Pataias está integrada no Grupo Secil.No ano 2000 o grupo iniciou um processo de internacionalização detendo hoje, além de três fábricas em Portugal, unidades na Tunísia, Angola, Líbano, Cabo Verde, Holanda e Brasil, num total de oito em quatro continentes.