Uma pessoa morreu e duas ficaram com membros amputados durante o linchamento popular de um alegado grupo criminoso na província de Manica, centro de Moçambique, disseram esta terça-feira à Lusa fontes policiais e habitantes locais.

“A população recorreu à justiça popular, tendo três integrantes daquela perigosa quadrilha caído na fúria popular e foram linchados. Um morreu, um outro foi amputado num pé e um terceiro teve o braço amputado”, avançou à Lusa Elsídia Filipe, porta-voz da Polícia de Manica sobre os acontecimentos em Machaze ocorridos na sexta-feira.

A porta-voz contou que um quarto elemento do grupo, que se supõe ser o cabecilha, buscou socorro no comando da Polícia de Machaze, tendo escapado de uma morte iminente.

As três vítimas faziam parte de um alegado grupo criminoso, que, com recurso a arma brancas e de fogo, se aproveitava do atual clima de conflito militar na região para criar “terror” em Machaze, roubando e violando pessoas, descreveu Norberto Mandava, um morador da zona.

“Era um grupo que já não dava sossego à população. Alguns diziam que eram ‘esquadrão de morte’, outros diziam que eram homens armados da Renamo [Resistência Nacional Moçambicana], mas não passavam de ladrões que se aproveitavam da atual situação politica”, afirmou Norberto Mandava, numa alusão ao clima de confrontações militares entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da oposição e à frequência de relatos de violência política.

Na madrugada da sexta-feira, o grupo arrombou uma residência e um estabelecimento comercial, levando somas de dinheiro não quantificados, quando foi neutralizado por moradores, tendo um dos membros da quadrilha morrido à paulada e outros dois sofrido as amputações.

“Não podemos resolver um problema, criando outro problema”, defendeu a porta-voz da da Polícia, lembrando que a instituição é uma autoridade e que os órgãos da justiça servem para resolver os problemas do povo.

Apesar da existência de poucos relatos de confrontos militares, o distrito de Machaze tem sido palco de raptos e execuções, supostamente com motivações políticas, o que levou a população de algumas zonas a recorrer a centros de deslocados em busca de segurança.

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