“No ataque morreram 59 pessoas do centro policial, além dos três atacantes, e cerca de 100 pessoas ficaram feridas”, disse à agência Efe Anwar-ul-Haq Kakar, porta-voz do Governo da província de Balouchistão, da qual Quetta é capital.

O ataque ao centro de formação de polícias começou antes da meia-noite quando três extremistas entraram nas instalações policiais e começaram a combater as forças de segurança, num confronto que durou várias horas e se prolongou pela madrugada de hoje, disse à Efe, ainda durante a noite, o porta-voz policial Gulab Khan.

Khan indicou que os três atacantes tinham coletes armadilhados e dois deles ativaram os explosivos que levavam.

Em declarações às televisões paquistanesas, Sarfraz Bugti, ministro do Interior da província de Balouchistão, disse que a operação já terminou e que as forças de segurança “limparam” o complexo de terroristas.

Durante o ataque cerca de 700 cadetes encontravam-se na academia, situada a cerca de 20 quilómetros de Quetta.

O major-general dos Frontiers Corps, Sher Afgan, disse à imprensa local que os atacantes pertenciam a um grupo insurgente sunita da vocação sectária Lashkar-e-Jhangvi.

Até agora nenhum grupo reivindicou o ataque.

O Balouchistão é palco habitual de ataques de grupos separatistas, milícias islamitas e redes mafiosas que operam em todo o país.

No passado mês de agosto, um ataque suicida matou 72 advogados num hospital, onde se tinham deslocado devido ao assassínio, uma hora antes, de um colega.

A província é a maior e a mais pobre do Paquistão, apesar de importantes recursos naturais, e é também estratégica, por ser por onde passam ambiciosas infraestruturas rodoviárias e energéticas que ligam a China ao Mar da Arábia.

Este corredor económico sino-paquistanês, que requereu 46 mil milhões de dólares de investimento chinês, tem sido alvo de ataques, designadamente de separatistas, mas a China tem-se declarado confiante quanto à capacidade do exército paquistanês para controlar a situação.

Apesar deste tipo de atentados, o Paquistão tem visto cair o número de ações terroristas, uma tendência que o Governo e o Exército atribuem à operação militar iniciada em junho de 2014 no noroeste do país contra alegados santuários talibã.