O Presidente da República teve esta quarta-feira um encontro privado, sem a presença de jornalistas, com o líder histórico do regime cubano, Fidel Castro, em Havana. Marcelo está a realizar “a primeira visita de Estado de um Presidente da República a Cuba” e tinha afirmado, ainda durante a viagem para a capital cubana, que dava maior importância ao encontro com Raúl Castro do que com o irmão Fidel. Antes de se encontrar com Fidel, Marcelo dançou com crianças e cantou uma das mais conhecidas músicas cubanas, “Guantamera”, nas ruas de Havana.

“Com o devido respeito, acho mais importante o encontro com o Presidente em funções, Raúl Castro, porque esse é que traduz o relacionamento entre os dois Estados na primeira visita de Estado de um Presidente português a Cuba”, declarou o Presidente da República aos jornalistas durante o voo Paris-Havana.

O encontro com o histórico da revolução cubana Fidel Castro estava previsto para as 23h00 de Lisboa (18h00, em Havana), como acabou por ocorrer, mas não constava do programa oficial. Até à hora de publicação deste artigo ainda não foram divulgadas imagens do encontro.

“Guantanamera, Guajira guantanamera”

Antes do encontro com Fidel, o Presidente da República cantou o refrão da célebre canção cubana “Guantanamera” e declarou-se maravilhado com a recuperação do centro histórico de Havana. “É uma maravilha, é uma maravilha”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa, a meio de um passeio a pé que durou cerca de uma hora.

O chefe de Estado teve direito a uma visita guiada pelo historiador Eusebio Leal, de 74 anos, responsável pela reabilitação do centro histórico da capital cubana desde os anos 80. “É uma grande honra para mim, para os meus colaboradores, para todo o povo em geral a sua visita. Estamos muito contentes. E começamos neste lugar tão simbólico, onde nasceu Havana”, declarou Eusebio Leal, na Praça de Armas de Havana.

Durante esta caminhada, Marcelo Rebelo de Sousa viu a casa onde morou o escritor norte-americano Ernest Hemingway, e o café frequentado pelo escritor português Eça de Queirós, que foi cônsul em Havana entre 1872 e 1874, e não resistiu a entrar brevemente num salão de cabeleireiro.

A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, e os deputados António Filipe (PCP), Hélder Amaral (CDS-PP), Idália Serrão (PS) e José Luís Ferreira (“Os Verdes”) também estiveram neste passeio pelo centro histórico de Havana, classificado pela UNESCO como património mundial.

Junto a uma estátua do poeta português Luís de Camões inaugurada em 2014, Luís Montenegro quebrou o protocolo e pediu a Hélder Amaral que lhe tirasse uma foto a sós com o Presidente da República.

A seguir, a comitiva visitou uma creche da organização não-governamental católica Padre Usera, dirigida por uma freira portuguesa, Teresa Vaz, onde crianças de três e quatro anos cantaram e dançaram para o Presidente da República as canções portuguesas “Malhão, malhão” e “A loja do mestre André”.

As crianças fizeram também uma coreografia alusiva aos descobrimentos portugueses, acompanhada pela música “O barco do papá”.

Marcelo Rebelo de Sousa trauteou estas canções sentado, mas no final quando se cantou a “Guantanamera”, com versos do poeta e mártir da independência de Cuba José Martí, saiu do lugar e foi para o lado de uma freira que tocava viola.

Sorridente, bateu palmas ao ritmo da música e juntou-se ao coro no refrão, que fala numa mulher de Guantánamo, no leste de Cuba: “Guantanamera, guajira guantanamera”.

Antes de seguir para a Embaixada de Portugal, o Presidente da República ainda se sentou no meio das crianças, enquanto estas cantavam uma última música, e disse estar “um bocadinho emocionado” com esta visita.

“Porque vim encontrar em Cuba, que é na outra ponta do mundo, uma congregação que é a mesma à qual confiei num certo momento da vida a educação da minha filha Sofia”, disse.

Marcelo Rebelo de Sousa referia-se à Congregação do Amor de Deus, fundada pelo padre Jerónimo Usera. “E eu sou cooperante da obra de Jerónimo Usera”, contou.

“Portanto, madre Teresa, muito obrigada. É uma obra belíssima”, agradeceu, despedindo-se com vivas a Cuba e a Portugal.