Cerca de 25 mil trabalhadores de 200 Misericórdias do país viram os seus salários descongelados ao fim de seis anos, na sequência de um Contrato Coletivo de Trabalho assinado entre as instituições e sindicatos do setor.

Apesar das dificuldades que as Misericórdias continuam a viver em termos económicos e financeiros quisemos dar um sinal da nossa preocupação com os salários e as condições de trabalho de todos os que colaboram nas Misericórdias”, disse à agência Lusa Fernando Cardoso Ferreira, da União das Misericórdias Portuguesas (UMP).

Segundo Fernando Cardoso Ferreira, que liderou as negociações com os sindicatos, os trabalhadores tinham os salários congelados desde 2010.

Houve revisões das tabelas salariais em 2010, mas depois tudo parou com a crise e os sindicatos também entenderam que não era a altura de falar sobre aumentos salariais”, disse o também provedor da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal.

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Decorrido esse período de tempo, “e principalmente a partir do momento em que o anterior Governo começou a ter um discurso que o pior já tinha passado, os sindicatos voltaram a abordar a União e as Misericórdias para se rever os respetivos instrumentos de regulação das relações laborais”, contou.

Foi-se negociando e este ano chegou-se a um entendimento“, disse o responsável, explicando que foi assinado um acordo de empresa com a UMP e depois um contrato coletivo de trabalho com as 200 Misericórdias que subscreveram o acordo.

Fernando Cardoso Ferreira destacou a importância da atualização dos salários dos funcionários destas instituições, “um setor em que, de uma maneira geral, os vencimentos são baixos“.

Estes funcionários “fazem um trabalho meritório, mas muito difícil, muito duro e não tem os salários que deviam ter”, disse, acrescentando que “as Misericórdias gostariam de pagar muito mais”, mas têm “uma baliza salarial que é a sustentabilidade da própria instituição”.

O responsável explicou que a sustentabilidade da instituição passa pela “capacidade de satisfazer os compromissos no fim do mês, nomeadamente pagar os salários a tempo e horas”.

Os sindicatos compreenderam isso e encontrámos uma plataforma que nos permite puxar um bocadinho mais pelos salários”, disse o provedor, sem precisar o valor dos aumentos salariais.

O acordo coletivo foi assinado entre as Misericórdias e a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais e outros.