O Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) suspendeu a produção de medicamentos para doentes oncológicos em quatro hospitais do país: Hospital das Caldas da Rainha (Centro Hospitalar do Oeste), Hospital da Luz em Lisboa — hospital privado do grupo Luz Saúde –, Hospital de Beja (Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo) e Hospital de Aveiro.

Segundo o Jornal de Notícias, em causa estão as condições de preparação e manuseamento dos medicamentos para o cancro nas farmácias dos hospitais. Apesar disso, o Infarmed garante que os doentes não deixaram de receber tratamento e foram arranjadas alternativas.

De acordo com declarações feitas ao Observador por fonte oficial do Hospital da Luz de Lisboa, o Infarmed fez uma inspeção às instalações onde são produzidos este tipo de medicamentos e alegou que as condições de ventilação não eram adequadas porque não respeitavam as normas de medição propostas. Após o sucedido, a zona foi submetida a obras.

A fonte do hospital privado disse que este problema de ventilação não afetou diretamente os medicamentos e afirma que, apesar da produção dos medicamentos ter sido suspensa, foi somente um “problema técnico” que teria a ver com o filtro da ventilação do ar.

Porta-voz garantiu que as obras já terminaram. Neste momento, um laboratório externo está a fazer testes de medição na área para que seja reaberta na próxima semana. Os medicamentos, neste intervalo de tempo, nunca deixaram de ser produzidos e os doentes continuaram a ter acesso a eles através de uma entidade externa ao hospital.

Até ao fim do ano, a Infarmed vai visitar cerca de 31 hospitais e a lista das farmácias suspensas pode aumentar. De acordo com declarações feitas ao jornal, vão ser verificados os circuitos dos medicamentos e dos dispositivos médicos com o objetivo de garantir o tratamentos aos doentes com “segurança e eficácia”.

O caso do Hospital das Caldas da Rainha veio a público no mês de abril e foi o primeiro a ser suspenso, devido à possível contaminação das amostras e problemas técnicos que podiam conter risco elevado para os profissionais.