O CaixaBank está focado no BPI e “não analisou o Novo Banco”, instituição que se encontra em fase final de venda. A declaração foi proferida pelo presidente executivo do banco catalão que está em vias de concretizar uma oferta pública de venda sobre o BPI. As palavras de Gonzalo Gortazar sobre o Novo Banco, citadas pela Bloomberg, não são novas, já tinham sido ditas no final de setembro, tendo aliás servido de suporte a notícias que davam conta do desinteresse do banco espanhol, o futuro controlador do BPI, na compra do Novo Banco.

Mas desta vez foram feitas um dia depois do presidente executivo do BPI ter negado com “veemência especulações” sobre a existência de divergências entre as duas instituições relativa ao processo de aquisição do Novo Banco. Se há uma matéria em relação à qual o CaixaBank concorda completamente connosco uma vez que somos nós — o BPI — quem está a estudar a operação, é o Novo Banco”.

A declaração do presidente executivo do banco catalão pode no entanto ter mais do que uma leitura. Gortazar pode estar a referir-se ao envolvimento direto do CaixaBank e não a uma eventual oferta do BPI. Até porque, acrescentou, existem limites ao que pode ser dito enquanto está a decorrer a OPA sobre o banco português. Mas realçou também que faz sentido neste momento para o CaixaBank focar-se no BPI e na integração

O prazo para entregar uma proposta vinculativa para o Novo Banco termina a 4 de novembro e o banco liderado por Fernando Ulrich é um dos quatro que apresentou uma oferta indicativa em junho. Mas Ulrich não clarificou se vai avançar para o Novo Banco.

O presidente executivo do banco catalão revelou ainda que a operação de aquisição do BPI foi autorizada pelo Banco Central Europeu (BCE).

“Recebemos a autorização do BCE para avançar” e esperamos levar a Oferta Pública de Aquisição (OPA) em curso “a bom porto nos próximos meses”, disse Gortázar no início da conferência de imprensa em que apresentou os resultados dos primeiros nove meses de 2016 do CaixaBank.

O banco catalão já fez o pedido de registo da OPA junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) sobre a totalidade do capital social do BPI, e aguarda agora pela decisão da autoridade portuguesa. O CaixaBank já é o maior acionista do BPI, com cerca de 45%.

Gonzalo Gortázar sublinhou a “decisão importante” tomada pelo BPI de acabar com a limitação ao direito de votos, tomada em finais de setembro último, condição essencial para o CaixaBank continuar com a OPA lançada em abril último.

Pequenos investidores questionam preço e acordo com Angola

Nestas declarações feitas durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre, Gortázar defendeu ainda que o preço oferecido pelas ações do banco português é justo. Esta quinta-feira, a ATM, Associação de Investidores e Analistas de Mercado, veio questionar a equidade da contrapartida oferecida sobre o BPI, lançando dúvidas sobre o acordo com Isabel dos Santos que permitiu desbloquear a desblindagem dos estatutos do banco português, em troca da venda de 2% do capital (o controlo) do BFA à empresária angolana.

Esta era uma das condições de sucesso para a OPA avançar, mas há mais de um ano que esbarrava na oposição de Isabel dos Santos. A ATM quer ainda saber se existe uma relação entre este acordo e o facto de o CaixaBank ter concedido uma linha de crédito de 400 milhões de euros ao Estado angolano.

O banco com sede em Barcelona teve lucros de 970 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2016, menos 2,6% face ao período homólogo, incluindo impactos extraordinários associados à integração do Barclays em 2015.

Segundo “informação relevante” prestada pelo banco catalão à CNMV (Comissão Nacional do Mercado de Valores espanhola), o resultado antes de impostos foi de 1.314 milhões de euros, um aumento de 45,2% do que no mesmo período do ano passado.