Frente a frente, dois brasileiros. Um de Porto Alegre, outro de Eldorado. O estádio era o Camp Nou, em Barcelona. 5 de abril de 2006. Penálti. E foi-o logo no começo: cinco minutos. De um lado, Ronaldinho, o melhor dos melhores à época. Do outro, Moretto, o melh… OK, talvez não fosse tão melhor assim — mas era-o para Koeman. Ronaldinho, no estilo que era o seu, gingão, atirou para a direita, Moretto topou o que o camisola dez queria fazer, também para lá se atirou e defendeu. O Benfica perderia (2-0) nos “quartos” da Liga dos Campeões.

Serve a moedinha agora posta na máquina do tempo para lhe contar que há mais de uma década que um guarda-redes do Benfica não defendia um penálti na “Champions”. Na altura foi Moretto. Esta noite, na Luz, diante do Dynamo Kiev, foi Ederson. 68′. Frente a frente, dois brasileiros. Um de Santos, outro de Osasco. O de Santos é Júnior Moraes, do Dynamo. O de Osasco, Ederson. E Ederson limpou com uma mão (ou melhor: luva; a direita) o que de mal fez com a outra. É que o guarda-redes do Benfica derrubou Derlis González quando este ganhou a dianteira a Semedo na área. O passe em profundidade, para as costas da defesa do Benfica, foi de Serhiy Sydorchuk. Quanto ao penálti, Júnior Moraes bateu para a esquerda — como batera Ronaldinho em 2006 –, Ederson também para lá foi, esticou-se todo, e desviou para longe.

Mais: manteve o Benfica em vantagem (1-0) no resultado.

Uma vantagem que foi conseguida, também de grande penalidade, mas ainda durante a primeira parte. Vida agarrou Luisão (45′) na pequena área, Clement Turpin não teve dúvidas e apitou. Tudo começou num livre à direita do do costume, Pizzi, a bola cruzada acabou no do costume, Luisão, e o que não é costume é o capitão do Benfica não poder saltar. O “culpado” de se gritar GOOOOOLO no estádio é Salvio: bola para o centro, Rudko para a direita, 1-0 na Luz.

Antes e depois da grande penalidade do Dynamo, o Benfica esteve perto de aumentar a vantagem. E quando não foi a barra a impedi-lo, foi a direção.

Primeiro, a barra. Que “charuto” de Guedes! Fejsa recuperou a bola a meio-campo, entregou-a em Guedes, este acelerou, correu que a todos cansou só de ver, e à entrada da área puxou da bota direita atrás. O remate é fortíssimo, colocado, tão colocado que acertou (53′) com estrondo na barra. Era tudo? Não. A bola — saída da barra — subiu, subiu, e quando desceu Artur Rudko tentou segurá-la. Disparate dos disparates, não só não segurou, como quase colocou a bola dentro da própria baliza quando esta lhe escorregou das luvas. Valeu-lhe que a escorregadela foi para fora. Canto. E do canto, não há o que contar.

Depois, aos 66′, GOOO… só que não. Lindelof foi um autêntico “Ronaldinho” de Västerås. Subiu defesa fora, meio-campo também, chegado à área olhou para a direita, colocou a bola no lado contrário, à esquerda — como o brasileiro fazia nos idos do Barça –, Mitroglou recebeu o passe dentro da área e picou a bola por cima de Artur Rudko. Muito por cima. E para fora, tocando esta ainda na rede. Mas gritou-se golo na Luz. Ou só meio golo.

Contas feitas, o Benfica, líder no campeonato, é também líder na Europa. Lidera a par com o Nápoles (sete pontos) o Grupo B.