Depois de 13 trimestres consecutivos de prejuízos, a Tesla anunciou um resultado líquido de 22 milhões de dólares (cerca de 20 milhões de euros) no terceiro trimestre de 2016. Esta foi apenas a segunda vez que a empresa registou lucros desde a sua entrada em bolsa, os quais se terão ficado a dever a números recorde em termos de produção, vendas e facturação.

A marca mostra-se, também, confiante no futuro. O seu CEO, Elon Musk, em comunicado aos accionistas e investidores, afirmou que o aumento da margem de lucro nas unidades vendidas, a par do aumento da produção do Model S P100D, permitirão manter estes bons resultados no último trimestre do ano.

Foi ainda anunciada a intenção de reduzir os custos com capital em 2017, não esquecendo a perspectiva de aumento da receita por via da introdução no mercado de novos produtos, como o muito esperado Model 3 (cujas vendas se iniciarão no segundo semestre do próximo ano, mas para o qual a marca recebeu já 373 mil pré-encomendas), ou o seu sistema de condução autónoma, e todos os serviços que lhe possam estar associados.

Ainda assim, algumas nuvens pairam no horizonte. Isto porque parte significativa das receitas da Tesla neste trimestre (126 milhões de euros, contra 35,5 milhões de euros no mesmo trimestre de 2015) provieram dos chamados “créditos ambientais” vendidos a outros fabricantes, as quais deverão descer, progressiva e substancialmente, já a partir do quarto trimestre de 2016.

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Os “créditos ambientais” advêm de uma norma criada pelo estado da Califórnia, e adoptada por mais nove estados americanos (Connecticut, Maine, Maryland, Massachusetts, New Jersey, Nova Iorque, Rhode Island e Vermont), que tem por objectivo a promoção dos veículos com emissões zero, prevendo a venda de 1,5 milhões de automóveis deste género em 2025, só no mercado californiano. A norma obriga a que uma determinada percentagem das vendas de cada construtor seja assegurada por automóveis eléctricos, híbridos plug-in ou a fuel-cells – podendo, entre si, as marcas trocar, vender ou adquirir tais créditos em função das suas conveniências, sendo óbvio o superavit de créditos detidos por uma marca como a Tesla, que só produz automóveis eléctricos.

O problema é que, por um lado, a CARB, o regulador ambiental da Califórnia, prepara-se para rever a lei no final deste ano, não faltando quem aposte que a agência irá limitar os créditos que cada marca irá receber e pode transaccionar. Por outro lado, mesmo que tal não aconteça, também é de prever que o aumento exponencial das vendas de automóveis eléctricos por parte de outros construtores, cada vez mais empenhados em incluir propostas deste género nas respectivas gamas, lhes permita não precisarem de comprar tantos créditos à Tesla.

Apesar disso, Musk não esmorece. E contra-argumenta com a construção da sua “mega-fábrica” de baterias no Nevada, com o facto de não prever que seja necessário um novo aumento de capital para dar seguimento à produção do Model 3 e com a resolução dos problemas que já permitem que a Tesla esteja próxima de alcançar o seu objectivo de produzir 2.000 automóveis semanalmente.