Era noite, ainda no final de setembro, quando os dois homens o abordaram. Raptaram-no, agrediram-no com violência e depois obrigaram-no a telefonar ao irmão, para que este entregasse uma quantia em dinheiro. Só não esperavam que o familiar da vítima alertasse as autoridades e abortasse o esquema que os dois suspeitos tinham planeado. A dupla acabou detida na última quarta-feira, em Sintra. Um deles é agente da PSP e já foi suspenso de funções enquanto decorrem os processos-crime e disciplinar.

O caso foi anunciado esta quinta-feira em comunicado pela Polícia Judiciária, um dia depois de os dois suspeitos terem sido detidos em Sintra e presentes a tribunal. O juiz de instrução colocou-os em prisão preventiva, indiciados dos crimes de rapto, agressão e extorsão agravada.

Desde final de setembro que os investigadores da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da PJ andavam atrás deles. Mas precisavam de prova para conseguir detê-los. Foi numa noite do final desse mês que a dupla, um polícia e um motorista, ambos de 26 anos, abordou a vítima. “Aparentemente conheciam a vítima e o irmão, mas ter-se-á tratado de um caso isolado”, explica ao Observador uma fonte da UNCT.

A vítima foi abordada em plena rua e ameaçada de morte com uma arma de fogo. Foi raptada, agredida “com violência” com um bastão e atacada com um spray gás pimenta para ceder. Depois foi obrigada a telefonar para o irmão e a pedir-lhe que entregasse uma determinada quantia em dinheiro. Era o dinheiro ou a vida. “São dois irmãos de famílias perfeitamente normais, que vivem do trabalho. Não se suspeita, para já, de outros negócios”, explica a mesma fonte.

“A investigação, muito recente, teve início logo após a libertação da vítima raptada, tendo a mesma sido intercetada na via pública e a transportada para outro local, sob constante ameaça sobre a vida e grande violência física, tendo como fim a extorsão de uma quantia monetária a uma outra vítima”, refere o comunicado da PJ.

O irmão da vítima arriscou alertar as autoridades. E disso deu conta aos agressores, que temendo serem apanhados desistiram do crime e abandonaram a vítima. “Depois disso foi preciso proceder a perícias, analisar informações, recolher provas para poder detê-los”, explica a PJ. E foi isso que os investigadores fizeram no último mês e meio.

Quando perceberam que um dos suspeitos era um agente da PSP, ao serviço da Divisão da PSP de Sintra, avisaram por “cortesia” a Direção Nacional da PSP da sua detenção.

A Direção Nacional da PSP já disse, entretanto, em comunicado que o suspeito será alvo de um processo disciplinar. “Nesse âmbito será ainda determinada a medida de suspensão preventiva ao polícia em questão”, referiu a PSP em comunicado.

O polícia em causa não está referenciado noutros crimes.