Cerca das 13h10, apesar desta subida da cotação do BCP, o PSI20 estava a perder 0,43% para 4.476,06 pontos, com os ‘papéis’ da EDP Renováveis, EDP e Jerónimo Martins a caírem 3,38% para 5,88 euros, 2,57% para 2,764 euros e 2,28% para 15,24 euros, respetivamente.

Durante a conferência de imprensa de apresentação das contas dos primeiros nove meses do ano na quarta-feira, o presidente do BCP, Nuno Amado, disse que as negociações com a Fosun relativas à entrada do grupo chinês no banco estão bem encaminhadas e que espera que até ao próximo dia 21 haja condições para dar mais um passo neste processo.

“Estão a correr as negociações de uma forma adequada e achamos que dia 21 temos condições para votar”, afirmou Nuno Amado.

O gestor não quis especificar quais são as matérias que ainda não estão fechadas, mas revelou que “tem a ver com um conjunto de aspetos, quer de natureza de negócio, quer de natureza de supervisão”.

Certo é que, tal como Amado reconheceu, o adiamento da votação da alteração do limite de desblindagem dos direitos de voto no BCP dos atuais 20% para 30%, que era para ter sido hoje feita na reunião magna de acionistas que antecedeu a apresentação dos resultados e foi adiada para nova assembleia-geral a realizar a 21 de novembro, “está muito ligado à proposta que a Fosun fez”.

“No dia 21 acreditamos que já possa haver esse entendimento. Pensamos que nessa data a assembleia-geral pode votar esse ponto”, rematou.

Amado também afirmou na quarta-feira: “Estamos a trabalhar para poder pagar algo este ano. Há alterações relevantes com o tema Itália e o tema Brexit”.

No início deste ano, Nuno Amado que tencionava pagar a totalidade dos instrumentos de capital contingente (as chamadas ‘CoCo bonds’, dívida que pode ser transformada em ações em determinadas circunstâncias) em 2016.

“Mantemos a intenção de pagar a totalidade dos CoCo antes do previsto [a data limite é junho de 2017]”, acrescentou Nuno Amado, durante a conferência de imprensa de apresentação das contas relativas aos primeiros nove meses do ano.

Em junho de 2012, através da compra pelo Estado de instrumentos de capital contingente (as chamadas ‘CoCo bonds’, dívida que pode ser transformada em ações em determinadas circunstâncias), o BCP recebeu 3.000 milhões de euros que serviram para se recapitalizar.

Até ao momento, o banco pagou 2.250 milhões de euros, faltando-lhe reembolsar 750 milhões. É esse valor que em fevereiro o presidente do banco disse querer pagar este ano.

Pelo empréstimo obrigacionista concedido em 2012, o Estado cobra juros que de momento rondam os 10%.

Na quarta-feira foi ainda anunciado que o BCP registou um resultado líquido negativo de 251,1 milhões de euros entre janeiro e setembro, que compara com o lucro de 264,5 milhões de euros em igual período do ano passado.