O poeta sírio Adonis participa, esta sexta-feira, em Lisboa, na apresentação da sua primeira antologia poética em português, “O arco-íris do instante”, cujo prefácio é assinado pelo escritor Nuno Júdice, que também traduziu e selecionou os poemas.

A sessão de apresentação, no âmbito da programação do Lisbon & Estoril Film Fest (LEFFest), está marcada para as 21h, no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém e, além do poeta sírio, várias vezes apontado para o Nobel de Literatura, participam o escritor Nuno Júdice, da Universidade Nova de Lisboa, e a psicanalista Houria Abdelouahed, da Universidade Denis Diderot, em Paris.

Adonis irá ler alguns dos seus poemas, uma leitura partilhada com o encenador Jorge Silva Melo.

No prefácio, Júdice afirma: “A poesia de Adonis tem a força expressiva que pude admirar nas leituras que o ouvi fazer dos seus poemas, mas se esse aspeto associado à vertente oral da poesia árabe se perde inevitavelmente em qualquer tradução, o que permanece é o pensamento que nela se transmite e também uma forma por vezes narrativa, decorrente da sua inscrição quer na linha ocidental que vem de Baudelaire a Perse, por um lado, e de Rimbaud ao surrealismo, por outro lado, quer numa corrente esotérica que o leva a interrogar a própria língua e os conceitos profundos do ser humano”.

“O arco-íris do instante” é editado com a chancela das Publicações D. Quixote, numa altura em que saiu recentemente, em Portugal, uma outra obra sua, de caráter ensaístico, “Violência e Islão”.

Nesta obra, segundo a Porto Editora, que a chancela, Adonis, “um dos maiores poetas e pensadores do mundo árabe”, analisa a evolução do Islão, “denuncia as falsas leituras e reflete sobre os conceitos de identidade, religião, progresso e humanidade”.

“Violência e Islão” reúne um conjunto de entrevistas de Adonis a Houria Abdelouahed, que também participa na sessão de Lisboa, nas quais aborda a “relação indissociável” do islão com a violência, a avidez do poder. “O que ocorre nos países árabes, desde 2011, é uma espécie de retorno ao pré-humano, à selvajaria”, afirmou o poeta.

Adonis é o pseudónimo literário de Ali Ahmad Saïd Esber, nascido há 86 anos em Al Qassabin, na Síria. Tendo estudado na Universidade de Damasco, exilou-se no Líbano, em 1956, onde trabalhou na revista Shi’r, à qual sucedeu a Mawaqif, por si fundada.

Em 1985, o escritor mudou-se para Paris, onde atualmente vive.

É autor de mais 20 títulos, nas línguas Árabe e Francesa, que se dividem em poesia e ensaio, assinando também algumas traduções.

O escritor recebeu váriso galardões, entre eles, o Prémio Goethe, o Spiros pela Liberdade de Expressão, o Bjornson e o Nâzim Hikmet.

Adonis, o nome que tomou literariamente, é de origem semita e, na mitologia grega, é o nome de um semideus – jovem de grande beleza -, que nasceu das relações incestuosas do rei Cíniras do Chipre com a sua filha Mirra, por quem se apaixonaram as deusas Perséfone e Afrodite.

Adonis tornou-se o símbolo da vegetação que morre no inverno e renasce na primavera – na mitologia do Próximo Oriente, é o deus da vegetação. Na realidade, a sua origem é o território que atualmente corresponde á Síria, onde era cultuado sob o nome semita de Tamuz.