Está decidido. O primeiro espaço dedicado à comercialização e assistência dos veículos da nova marca Alpine vai surgir já em 2017, em Paris, em Boulogne-Billancourt. Só depois o construtor – que pertence ao Grupo Renault, tal como a Dacia e a Samsung Motors – inaugurará um stand em Dieppe, onde tudo começou em 1955.

A Alpine é uma marca com história, tendo sido criada há 61 anos por Jean Rédélé, um mecânico e proprietário de um concessionário Renault em Dieppe, que fã da competição e vendo o potencial do Renault 4CV, começou a desenvolvê-lo e a conduzi-lo nos ralis, a partir de 1950. E rapidamente iniciou a introdução de melhorias, adaptando uma caixa de cinco velocidades, em vez da unidade que o modelo trazia de origem, com apenas três, entre outras modificações.

Alpine. Uma história do David contra uma série de Golias

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Jean Rédélé foi um mecânico quase engenheiro, com formação na Hautes Études Commerciales de Paris, que aliava à queda para os negócios uma paixão interminável pela competição. Começou a correr com um Renault 4CV em 1950, mas daí a produzir o seu primeiro automóvel, com base na mecânica e chassi do 4CV foi um instante. Ou melhor, foram três anos, pois em 1953 Rédélé apresentou o Marquis, com direito a exposição no Salão Automóvel de Nova Iorque. Mas não com muito êxito.

Graças aos seus sucessos nos ralis, sobretudo nas Mille Miglia e na Coupe des Alpes, que venceu em 1954, o concessionário e preparador lançou-se para a criação de uma marca própria, que baptizou de Alpine, em honra aos feitos alcançados nas competições nos Alpes.

Em 1962 apresentou o Alpine A108, que fez evoluir para o A110 Berlinette, revelado em 1971. E foi este último com que disputou o mundial de ralis, equipado com um motor de Renault 16, mas montado atrás, que extraía 180 cv dos 1.800 cc. A grande vantagem do veículo era o peso: os apenas 620 kg da ágil Berlinette.

No Monte Carlo de 1971 o A110 conquistou os três primeiros lugares e, em 1973, repetiu a proeza, com a Alpine a sagrar-se mesmo a primeira vencedora do Campeonato do Mundo de Ralis, batendo gigantes como a Fiat, Ford, Lancia e Porsche. Porém, e apesar das vitórias na competição, a crise petrolífera e a consequente quebra das vendas atiraram a marca de Rédélé para a falência, tendo sido adquirida pela Renault ainda nesse ano.

A Alpine foi adquirida pela Renault em 1973, mas continuou a produzir viaturas – o A310 e várias versões do A610 – até 1995, sempre com o emblema da Renault-Alpine. Mas em 2017, e depois de longa ausência a campeã do mundo de ralis, em 1973 volta ao activo e como construtor independente, sempre propriedade da marca do losango, mas gerida por uma estrutura autónoma, comandada por Michael van der Sande, ex-director de marketing da Renault e Bernard Ollivier, ex-director geral da Renault Sport.

Em 2017 vai iniciar-se a produção do primeiro Alpine da nova era, que será muito idêntico ao protótipo Vision, revelado em Fevereiro deste ano no Salão de Genebra. Com umas linhas que apelam ao A110 de 1971 e apenas dois lugares, o novo Alpine monta o motor em posição central, para optimizar o comportamento. E vai recorrer ao motor de quatro cilindros 2.0 sobrealimentado, similar ao que vai equipar o futuro Mégane RS, já com injecção directa de gasolina, que deverá rondar os 250 cv na versão mais acessível e cerca dos 300 cv numa ainda mais desportiva.

Mas ao que tudo indica, o grande trunfo do Alpine será o seu peso reduzido, confirmado pelo facto de a marca afirmar que se pode esperar uma aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 4,5 segundos, valor que coloca o novo modelo ao nível de desportivos como o Porsche 718 Cayman e do Alfa Romeo 4C.

Quanto a novos modelos, a marca esconde o jogo, mas tanto Ollivier como Sande já revelaram a necessidade de fazer crescer a gama, que pode começar por conceber uma versão aberta do coupé, mas que irá rapidamente evoluir para um SUV desportivo, que possa fazer frente ao Porsche Macan, socorrendo-se muito provavelmente da plataforma do Kadjar. Para para perceber o futuro da Alpine, o melhor é conhecer o passado, que destacamos na fotogaleria.

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