Numa altura em que o Polo Norte devia estar com as temperaturas mais baixas do ano — estamos em plena ‘noite polar’ –, a camada de gelo está a bater recordes no sentido contrário. O Ártico está muito mais quente do que o esperado: mais 20ºC do que o normal, avisam investigadores ouvidos pelo The Washington Post. Além disso, a extensão da camada de gelo no Oceano Ártico está em mínimos históricos e as águas estão a congelar a uma velocidade muito menor.

Um gráfico publicado pelo investigador Zack Labe, um especialista nas questões do Ártico da Universidade da Califórnia, mostra a evolução da temperatura ao longo do ano. A linha vermelha, que indica a temperatura média do ano ao longo dos dias de 106, “continua a seguir na direção errada”, escreve no Twitter o investigador, sobretudo se comparada com a linha verde, que representa a temperatura média esperada.

A especialista Jennifer Francis, da Universidade Rutgers, da New Jersey, explica ao The Washington Post que as temperaturas estão “cerca de 20ºC mais quentes do que o normal na maioria do Oceano Ártico”, o que está relacionado com “anomalias da mesma magnitude sentidas na Ásia central e do norte”. Para a investigadora, “o aquecimento do Ártico é resultado da combinação de uma extensão de gelo muito baixa, a níveis recorde para esta altura do ano, que torna, provavelmente, o gelo muito fino, com muito ar quente e húmido que vem de latitudes mais baixas”. Segundo a investigadora, a corrente que leva grandes massas de ar quente para a região polar tem aumentado à medida que a própria temperatura polar também aumenta.

Vários investigadores ouvidos pelo jornal norte-americano concordam: a situação é preocupante, mas é explicável pela referida massa de ar. “Há um forte movimento de calor em direção ao Ártico, especialmente para o centro e norte do Canadá”, explica o investigador James Overland, da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, dos EUA. O cientista acrescenta que também o Atlântico e a Sibéria oriental estão a ser afetados por este aquecimento, por se encontrem no caminho da massa de ar. Já Zack Labe, que partilhou o gráfico, considera que este aumento representa um padrão pouco comum, devido à “persistência e à magnitude das anomalias de temperatura”.